LEITE DERRAMADO

Registered by conto of Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on 8/7/2015
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Journal Entry 1 by conto from Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Friday, August 07, 2015

Da badana:
"Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história da sua linhagem, desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até ao tetraneto, um jovem do Rio de Janeiro actual. Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e económica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos."

Do primeiro capítulo:
Quando eu sair daqui, vamos nos casar na fazenda da minha feliz infância, lá na raiz da serra. Você vai usar o vestido e o véu da minha mãe, e não falo assim por estar sentimental, não é por causa da morfina. Você vai dispor dos rendados, dos cristais, da baixela, dasjoias e do nome da minha família. Vai dar ordens aos criados, vai montar no cavalo da minha antiga mulher. E se na fazenda ainda não houver luz elétrica,
providenciarei um gerador para você ver televisão. Vai ter também ar condicionado em todos os aposentos da sede, porque na baixada hoje em dia faz muito calor. Não sei se foi sempre assim, se meus antepassados suavam debaixo de tanta roupa.


Li este livro num bookring da Papalagui em 2009. Gostei tanto que quando o vi numa promoção, não lhe resisti. Na altura dei-lhe 9 estrelinhas e disse que "Adorei este livro que se lê de um fôlego só (ou comigo foi assim).
Eu desconfiava que me iria render, porque algo me dizia que o não ter gostado muito do Budapeste tinha tido a ver com um momento inadequado para a respectiva leitura. Pensei relê-lo mais tarde, mas como sempre, com tanta coisa para ler, não o fiz e acabei por o enviar a alguém que o tinha na wishlist.
Mas rendi-me de facto, desde o início e adorei o Eulálio, a sua memória recorrente daquele dia da missa, a forma lúcida de se baralhar com as recordações, a inexistência de queixumes relativos aos permanentes saques da Eulália e dos Eulálios da sua vida e a permanente devoção a todos eles mesmo que em especial à Matilde.
E tudo isto escrito como se o tivesse sido de um fôlego, tal como o li, como se não desse trabalho nenhum escrever assim, como se fosse simples e bastasse ir escrevendo o que o Eulálio dizia..."

Journal Entry 2 by conto at Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Friday, August 07, 2015

E agora vai passear, para ser lido por outros interessados.
Espero que gostem!

Journal Entry 3 by irus at Bragança, Bragança Portugal on Tuesday, August 11, 2015
Olha aqui uma interessada, a acolher o livro por uma semanas. Depois seguirá para o outro interessado.

Obrigada, conto, pela sua inesgotável generosidade. Além do mais, o livro tem uma capa muito bonita, na sua simplicidade.

Journal Entry 4 by irus at Bragança, Bragança Portugal on Saturday, August 29, 2015
Também eu o li num fôlego, também eu gostei de Eulálio e da forma como a história vai evoluindo em espiral, a cada capítulo uma forma diferente de contar a mesma história, que nos vai baralhando ao ponto de não sabermos o que é mentira e o que é verdade. Fabulosa a forma como os ciúmes de Eulália fabulam acontecimentos que afinal não aconteceram. Fabulosa a forma como é contada a queda (social e financeira) da família, os tiques de gente bem e com "berço", a maneira feliz e livre de Matilde (que, afinal, era uma menina quando desapareceu), o percurso da filha e dos neto, bisneto, trineto.

E, sim, fabulosa a forma como parece que isto não custa nada a escrever, que basta saber como funciona a cabeça de um velho e transcrever tudo, como se Chico estivesse lá, a ouvi-lo e só fosse necessário passar para o papel.

Obrigada conto, por mais esta bela descoberta.

Vou contactar o Jota-P e enviar o livro.

Journal Entry 5 by irus at Bragança, Bragança Portugal on Wednesday, September 23, 2015
Culpa das férias - minhas e do Jota-P - só agora o livro sai continuar viagem.

Journal Entry 6 by Jota-P at Sacavém, Lisboa (distrito) Portugal on Wednesday, September 30, 2015
O livro chegou ontem. Ainda na semana passada li Estorvo, também de Chico Buarque e, como se pode ler no meu comentário a esse livro, não foi propriamente uma das melhores leituras dos últimos tempos...

As minhas expectativas em relação a este livro são muito mais elevadas. Espero sinceramente que não saiam goradas.

Obrigado irus pelo envio deste livro!

Journal Entry 7 by Jota-P at Sacavém, Lisboa (distrito) Portugal on Monday, October 05, 2015
Este livro lê-se, de facto, num instantinho. Concordo com as duas leitoras precedentes (das quais já estamos habituados a ler comentários certeiros e confiáveis) de que a história está muito bem escrita e que ficamos com a sensação de que escrevê-la foi fácil.

Dos três livros de Chico Buarque que já tive oportunidade de ler, este foi sem dúvida aquele que mais gostei de ler. O facto de este Eulálio-narrador ser tão velhinho, que quase torna a história inverosímil, não é nada preocupante. Ficamos tão entusiasmados com o desfiar das memórias desta personagem, a qual atravessou todo o século XX brasileiro e ainda sobreviveu ao neto, ao bisneto e ao trineto, que nos esquecemos que seria pouco provável alguém chegar a tão provecta idade... No entanto, ser "pouco provável" não significa "impossível", pelo que a beleza da escrita se sobrepõe à inverosimilhança.

Tal como a irus, gostei bastante das partes em que o narrador se deixa roer pelos ciúmes, mas que aparentemente são infundados. "Aparentemente", porque ainda assim a história do desaparecimento de Matilde não fica totalmente esclarecida.

Muito obrigado conto, pela oportunidade que me deste em ler este livro. Gostei e não foi uma leitura nada penosa! Como combinámos, vou fazer o livro seguir para o joaquimponte, último leitor deste bookring improvisado.

Journal Entry 8 by joaquimponte at Lisboa - Lumiar , Lisboa (cidade) Portugal on Tuesday, October 13, 2015
Obrigado Jota-P e conto por se lembrarem de que havia desejado ler este livro . Até eu já esquecera . E o envelope dos CTT está fantástico e colorido: 15 selos!!! 12 com o tema das festas populares e 3 com um autocarro articulado da carris. Boa ideia Jota-P.

Journal Entry 9 by joaquimponte at Lisboa - Lumiar , Lisboa (cidade) Portugal on Wednesday, October 21, 2015
Deliciei-me com esta leitura e imagino como um livro tão pequeno me podia levar a escrever aqui um outro livro . Nada receiem :)
Ficar-me-ei pela musicalidade da escrita , qual seja a do português do Brasil , com seus vernáculos que parecem surgir do " ano de mil e quatrocentos e lá vai fumaça" , com suas expressoes de um portugues talvez oitocentista, um português um pouco " mareado". Pelo tom bem humorado e ao mesmo tempo nostálgico, tão triste ao modo de saudade, com que as memorias familiares e as partidas de uma vida inteira, vão correndo entre caçadores de índios no ramo paulista ..a guerreiros escoceses do clã dos McCenzie , desde o tetaravô até à confusão de bisnetos e netos , que nem se entende mas não faz mal.
Gostei de Matilde , a mulher ausente mas sempre presente, um misterio continuo. Curioso que esta história mistura ficção e realidade de um modo que a certa altura não importa destrinçar.
Bem.. é também uma história sobre a memória , porque " Se com a idade dá para repetir certas histórias..não é por demência..mas porque elas não param de acontecerem nós até ao fim da vida". Todo o enredo é não mais que uma memória.

E é também uma história sobre o fim da vida , sobre o fim dentro de um hospital , descrito em curiosos detalhes que só por si valem esta leitura. Sei, de saber de experiencia, que o autor experimentou o que está a dizer.

Gostei. Muito obrigado conto e jota-P. Logo, logo o livro voltará para casa.

Journal Entry 10 by conto at Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Tuesday, October 27, 2015

Regressado a casa. E que bom que todos gostaram dele. Voltou com um sorriso na capa! :)

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