O Segredo do Chocolate

by Joanne Harris | Literature & Fiction |
ISBN: 972883926x Global Overview for this book
Registered by zuzaa of São Domingos de Rana, Lisboa (distrito) Portugal on 10/6/2009
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Journal Entry 1 by zuzaa from São Domingos de Rana, Lisboa (distrito) Portugal on Tuesday, October 06, 2009
Diego de Godoy, um jovem espanhol em busca de fama e fortuna, embarca rumo ao Novo Mundo no ano de 1518. Nas Américas luta ao lado de Cortés, o conquistador do México. No meio dessa grandiosa campanha, onde conhece o líder Asteca Montezuma, apaixona-se pela bela Ignacia, uma nativa que o inicia nos segredos sensuais do chocolate.
Apesar das circunstâncias separarem os amantes, Ignacia dá a Diego um elixir e uma promessa: "Se estiveres vivo, então eu estarei viva. Nunca desistas de me procurar."

Acompanhado pelo seu cão, Diego está destinado a vaguear pelo mundo através dos séculos, em busca do seu amor perdido, da perfeição do chocolate e do sentido da vida. No seu percurso pela Europa acompanha os maiores acontecimentos e cruza-se com personalidades como o excêntrico Marquês de Sade, ou o psicanalista Sigmund Freud.

«Uma história sobre paixão, sexo e chocolate; como seria possível não gostar?» Kirkus Reviews


Um pequeno (grande) excerto:

« - Quantos anos tem? - perguntou o médico.
Aquilo estava a ficar ridículo. Tinha de ajudá-lo. Mesmo que não acreditasse, talvez me achasse pelo menos divertido.
- Acho que devo ter uns trezentos de oitenta e sete anos.
- E conhece mais alguém que tenha chegado a essa idade?
- Só o meu galgo, o Pedro.
- O seu cão?
- Exactamente.
O médico, espantosamente, não parecia surpreso com as minhas afirmações, e eu fiquei impressionado com a calma dele.
- E tem ideia do motivo? - perguntou gentilmente.
- Não sei. Tudo o que sei é que parece que estamos a viajar pelo mundo em busca de amor e chocolate, e que talvez nunca cheguemos a envelhecer ou a ter paz.
- O seu pulso, com certeza, é lento...
- Como a minha vida. Não posso viver como os outros.
- Acha que está condenado a viver eternamente?
- Acho que deve ser isso.
O médico parou um instante, olhando para longe. Virei-me para ver se ele ainda estava a ouvir-me e, finalmente, vi os olhos dele.
A sua concentração e intensidade eram tremendas.
- Só se pode estar preparado para a vida preparando-se para a morte. Se a ameaça de morte é eliminada, então a vida deixa de ter sentido.
- Talvez seja assim para si, mas para mim é doloroso. Já não sei qual é o objectivo da minha busca.
- Sente que está em busca de alguma coisa?
- Foi assim que começou a minha aventura.
- Conte-me a sua história. A busca é importante.
- Pode levar dias, semanas, até anos.
- Por favor - disse o médico - acho que posso ajudá-lo...
- De que maneira?
- Também sou uma espécie de conquistador - continuou solenemente. - Mas as minhas viagens talvez tenham sido para regiões mais longínquas...
- Onde esteve?
- Em toda parte e em lugar nenhum. A minha aventura é a busca dos tesouros da mente.
- Já não aconselho as aventuras - respondi, pensando em todos os transtornos que me causaram.
- Pelo contrário. Acho que devemos enfrentar os nossos medos. Não existe terra mais estranha do que a mente humana.
- E nenhuma tão aterradora.

(...)

- Diga-me - perguntou um dia, - sobre o que sonha?
- Às vezes, não sei se estou a sonhar ou a viver a minha vida - respondi. - Sinto-me como se fosse um homem que teve um sonho no qual sonhava que estava a sonhar.
- Continue.
- Não posso garantir que tudo seja real. Às vezes, sinto que já estive em certos lugares, mas não sei como, quando ou porquê. Fico com a impressão de já ter vivido esta parte da minha vida, mas nada posso fazer para impedir que aconteça novamente.
- Muitas vezes estamos condenados a repetir...
- O que posso fazer? Acredita em mim?
- Acredito que não faz diferença se a sua vida é uma fantasia ou realidade. Ela é real para si.

(...)

- Alguma vez sentiu ter tendências divinas? Que pudesse ser um tipo de super-homem ou uma espécie de Cristo?
- Não, não - respondi. - Está tudo errado. Não é nada disso. Além do mais cheguei à conclusão de que Deus não existe. Como pode existir quando há tento sofrimento sem propósito?
- Concordo - exclamou o médico com entusiasmo, e a nossa conversa foi ficando mais animada. - Deus foi inventado pela civilização como consolo para a esmagadora força da natureza.
- Não podemos tolerar a ideia a nossa extinção - disse eu rapidamente, voltando ao meu assunto. - Então, criamos outro mundo, outro palco para a nossa jornada. Não vemos o universo como ele é, mas como queríamos que ele fosse.
- É a nossa fuga ao caos da história.
- Esperamos por uma vida melhor, para além desta - disse eu.
- Que não existe - disse o médico, com firmeza.
- Não, não acredito que exista, assim como também não creio que exista um criador benevolente agindo sobre o Universo - concordei.
Finalmente, ali estava um homem que me compreendia, e a nossa conversa continuou num ritmo acelerado, como se ali nos fosse permitido expressar o que não podia ser dito sem chocar a refinada sociedade de Viena.
- Deus foi criado para afastar o tormento da morte. Mas se se afasta Deus....
- Ter-se-á que aceitar a morte em troca - disse eu.
- Exactamente - respondeu o médico. - Agora estamos a chegar a algum lado. Pois isso é o que você não consegue fazer. É esse o seu problema, a sua neurose. Você nega-se a aceitar a morte.
- No entanto, acredito realmente que não consigo morrer e que tenho que suportar uma vida miserável, condenado, como o judeu errante, a vaguear pela mundo para sempre.
- Você é um homem fora do comum - comentou o médico.
- Não - afirmei - não sou. Sinto que sou uma pessoa tremendamente comum que por acaso tem um atributo especial. Não me sinto superior às outras pessoas, mas apenas distante delas.
- Por não poder morrer?
- Exactamente. Poderia viver egoistamente, voltado inteiramente para o meu prazer.
- E o que o impede de fazer isso?
- Acho que não se pode levar uma vida exclusivamente hedonística. O prazer passa, morre, mesmo que eu não morra - respondi.
- Mas para outros seres humanos, o prazer parece ser uma corrida impetuosa para a morte.
- Sim - respondi. - É quase como se houvesse pessoas com um instinto para a morte. Porque, sem a vontade de morrer, não há vontade de viver.
- E sem morte não haveria filosofia.
- Então, o que é a felicidade? - perguntei francamente.
- Não sei - disse o médico, à medida que o ritmo da nossa conversa finalmente diminuía.
- Achei que você, que viveu tanto tempo, me pudesse dizer.
- Talvez a arte de viver seja exactamente a compreensão de que um dia vamos morrer.
O médico balançou a cabeça solenemente.
- E isso é parte da nossa felicidade? - perguntou.
- Deve ser - respondi. - Não podemos ser felizes sem a compreensão ou a antecipação da morte.
- Também tenho pensado nessas coisas - disse o médico. - A nossa única satisfação nesta vida não passa de um prazer passageiro. Parecemos amar o efémero. A morte é a única coisa permanente.
Ele levantou-se e caminhou até à janela.
- E já que não temos esperança de um sucesso duradouro - concluiu - precisamos de aprender a viver com o desespero. Mas, diga-me, onde é que encontra consolo?
- Viajo. Aperfeiçoei a arte de fabricar chocolate. Tiro consolo de onde posso.
- Não há nada de errado com o chocolate. Dá muito prazer.
- Faz-me lembrar o meu amor que perdi e que não consigo reencontrar.

(...)

- Todos os sonhos são assim tão claros para si? - perguntei.
- Não, nem todos. E, no seu caso, muitas vezes eles são confusos por causa da longa duração da sua vida e da complexidade das suas lembranças. Mas, diga-me, também deve sentir-se entediado pelo quotidiano já que a sua vida passa tão lentamente, não é?
- Devo confessar que é impossível exprimir o meu tédio. Não é fácil sentir-se vivo quando a vida não tem pressa.
- Então você precisa de trabalhar. Talvez escrever sobre as suas experiências para preservar as suas lembranças e encontrar sentido nelas. Porque a sua tarefa é, certamente, compreender alguma coisa dos enigmas do mundo e tentar contribuir para a sua solução.
Ele tocou a campainha para mandar buscar o meu casaco, porque a lógica da nossa conversa parecia não ter futuro.
- Embora me compadeça de si - o médico consolou-me - só posso sugerir que continue a procurar o sentido da vida.
- Isso não leva a lugar nenhum.
- Não pode viver retroactivamente. Tem que andar para a frente, ocupando o seu lugar no desenvolvimento da nossa espécie, e então, talvez a morte sobrevenha. Precisa de viver tudo o que puder. Viver, comer, amar, sofrer e esperar pela morte.
- Mas eu não posso fazer essas coisas como os outros homens - disse eu, vestindo o casaco.
- Pode.
- Não, não posso. Porque parece que não posso amar e não posso morrer - disse eu, quase a chorar.
O médico confortou-me, colocando um braço em volta dos meus ombros.- Tem a certeza disso? Não se sente mais velho do que era?
- É tão difícil sabe verdadeiramente o que sinto.
Os meus olhos encheram-se de lágrimas.
- Talvez esteja simplesmente destinado a viver a sua vida a um ritmo diferente. O seu sofrimento não é tanto pela eternidade, mas pela lentidão. Você vive sob uma sombra maior do que os outros, mas o fim virá com certeza. Tem que vir.
- Mas o que farei até lá?
- Precisa de trabalhar e amar. Trabalho e amor. São os únicos guias que temos. Sem eles, a mente adoece. »

Journal Entry 2 by zuzaa from São Domingos de Rana, Lisboa (distrito) Portugal on Monday, March 01, 2010
Reservado para a BookBox Ficção/Romance.

Journal Entry 3 by Meg72 from Ílhavo, Aveiro Portugal on Tuesday, April 20, 2010
Eu adoro chocolate, por isso, penso que este livro vai ser um verdadeiro prazer guloso :-)

Journal Entry 4 by Meg72 at Ílhavo, Aveiro Portugal on Tuesday, March 08, 2011
Aqui está um livro horrível para quem quer fazer dieta! Cada vez que pegava nele, dava-me um vontade enorme de comer coisas doces. É delicioso:-)
Após beber um chocolate quente mágico, Diego de Godoy, notário do famoso conquistador Cortés, é condenado a vaguear eternamente pelo mundo à procura do seu grande amor. Vai conhecendo gente famosa enquanto aperfeiçoa a técnica da confecção do chocolate. E é incrível como há tantas maneiras de preparar esta doce tentação! Só tenho pena que o livro seja tão pequeno; adoraria que a história se prolongasse por mais umas 100 ou 200 páginas e o nosso Diego conhecesse mais gente famosa ligada ao chocolate.
Obrigada pela partilha!

Journal Entry 5 by Meg72 at Ílhavo, Aveiro Portugal on Saturday, July 30, 2011

Released 8 yrs ago (7/30/2011 UTC) at Ílhavo, Aveiro Portugal

CONTROLLED RELEASE NOTES:

Segue para a casa da micazy, no âmbito do RABCK "Vamos limpar a minha estante II"

Journal Entry 6 by micazy at Costa da Caparica, Setúbal Portugal on Friday, August 12, 2011
Chegou! Obrigada :)

Journal Entry 7 by micazy at Costa da Caparica, Setúbal Portugal on Friday, October 28, 2011
Adorei este livro! Confesso até que me cairam as lágrimas no fim. Estou uma piegas!
Uma viagem no tempo e pelo mundo bem doce.
Vou partilhá-lo com outros bookcrossers interessados em lê-lo.

Vai seguir viagem:
- JaneMary
- Ftarazu
- Portunhola
- SironaCollin
- AndreyaSofiia
- catiaborboleta
- FallenAngels
- Cleopatra23

30nov - seguiu pelo correio

Journal Entry 8 by JaneMary at Torres Vedras, Lisboa (distrito) Portugal on Tuesday, December 13, 2011
Chegou :)
Vou tentar ser breve, mas tenho um bookring a frente.
Obrigada

Journal Entry 9 by Ftarazu at Ovar, Aveiro Portugal on Monday, February 13, 2012
Já chegou!
Vai ser já o próximo a ser lido.
Obrigada pleo envio!

Journal Entry 10 by Ftarazu at Ovar, Aveiro Portugal on Tuesday, April 03, 2012
Já li este livro há algum tempo mas tenho-me esquecido de fazer JE...
Gostei muito de ler este livro e cada vez que íam preparar o chocolate com todas aquelas especiarias, apetecia-me também beber um grande copo daquele chocolate mágico.... Delicioso!

Já enviei PM à pessoa seguinte para o enviar.
Obrigada micazy pela partilha!

Journal Entry 11 by Portunhola at Santa Iria de Azóia, Lisboa (distrito) Portugal on Tuesday, April 24, 2012
Já chegou!!! Tentarei ser breve.
Obrigada pelo empréstimo micazy e pelo envio Ftarazu.


Journal Entry 12 by Portunhola at Santa Iria de Azóia, Lisboa (distrito) Portugal on Friday, May 11, 2012
Já está lido! Um livro de leitura fácil com muita história pelo meio.

Obrigada pelo empréstimo e pelo envio.
Segue viagem para AndreyaSofiia porque a SironaCollin não pode receber agora.

Journal Entry 13 by AndreyaSofiia at Parede, Lisboa (distrito) Portugal on Saturday, May 19, 2012
Chegou, vai para TBR pego-lhe assim que puder

Journal Entry 14 by catiaborboleta at Setúbal, Setúbal Portugal on Wednesday, September 04, 2013
O livro está comigo e já o comecei a ler, no dia 3/9/2013

Journal Entry 15 by catiaborboleta at Setúbal, Setúbal Portugal on Wednesday, September 04, 2013
Acabei de ler este livro no dia 4/9/2013

Journal Entry 16 by FallenAngels at Parede, Lisboa (distrito) Portugal on Tuesday, October 01, 2013
Já cá está! Obrigada!

PS - zuzaa: este livro está registado como sendo da autoria de Joanne Harris, mas na realidade é de James Runcie.

Journal Entry 17 by FallenAngels at Parede, Lisboa (distrito) Portugal on Tuesday, December 17, 2013
E pronto. Demorei um pouco mais do que é normal, mas já está lido há algum tempo. Penso que a história é bem imaginada, mas soube-me a pouco. Gostava que o autor me tivesse deslumbrado mais e me tivesse sentido mais envolvida, principalmente porque atravessamos vários séculos e seria interessante um descrição mais elaborada das épocas... Obrigada pela partilha e vai já seguir para cleopatra23!!

Journal Entry 18 by Cleopatra23 at Vila Nova da Telha, Porto Portugal on Monday, January 06, 2014
Chegou acompanhado de outro envelope com 2 livros.
Vai ser o 3º na minha lista.
Vou tentar ser breve.

Journal Entry 19 by Cleopatra23 at Vila Nova da Telha, Porto Portugal on Monday, February 24, 2014
Já terminei a leitura.
Gostei, mas confesso que esperava um pouco mais... talvez um pouco mais de descrição das épocas em que a história se passa, mesmo que isso implicasse mais umas 100 páginas!

Deu-me foi muita vontade de comer chocolate!! Terrível para quem está a tentar perder peso.

Muito obrigada pela partilha.
Agora, regressa a casa?

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