O Culto do Chá

by Wenceslau de Moraes | Literature & Fiction |
ISBN: Global Overview for this book
Registered by wingcontowing of Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on 11/5/2008
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Journal Entry 1 by wingcontowing from Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Wednesday, November 05, 2008
Um belo presente, oferecido ontem pelo meu "Méistre" e veemente apreciador de chá, "vício" que me tem vindo a incutir.

Um livro muito bonito, porque o texto é intercalado com belíssimas ilustrações de Iochiaqui, gravadas por Gotô Seikodô. A degustar calmamente, numa destas tardes de Domingo, ao sabor de uma chávena de chá quentinho!

A imagem é de uma primeira edição do livro, que a deste exemplar (editado pela frenesi - assim, com minúsculas) replica.

Do pouquinho que já li, já deu para perceber que a prosa deste autor - que entrecruza quimonos, hábitos longínquos e as plantações de Uji - é sempre a prosa de um magnífico poeta.

Journal Entry 2 by wingcontowing from Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Saturday, December 20, 2008
Efectivamente, um livro a saborear!
Eu fi-lo devagarinho, acompanhado de um chá vermelho, de rooibos e soube-me mesmo bem, como uma pausa no ritmo.
Uma pausa neste mundo frenético que Moraes antevia e contra o qual se rebelava, refugiando-se no seu Japão milenar feito de rituais.

Sim, porque também neste livrinho, Wenceslau de Moraes começa logo por dizer que "É no Oriente, e em especial no Extremo-Oriente, que as coisas comuns da criação ou os usos e costumes triviais da vida são susceptíveis de merecer um tal requinte de solenidade sentimental e de praxes de rito, que constituam um verdadeiro culto.", referindo ainda mais à frente "o carácter ancestral [da Ásia]", "acariciando a lenda, divinizando as coisas, prodigalizando os cultos; o que é, em todo o caso, uma maneira amável de ir compreendendo a vida".

Assim, também aqui W. de Moraes imprime o seu cunho de 'visionário' que profetiza um mundo virtual que tenderá a sobrepor-se à natureza e a substituir a cultura tradicional. E esta visão leva-o a não deixar de advertir, no conjunto da sua obra, para a desumanização progressiva do mundo, para a intromissão permanente da máquina nos quotidianos e no modo de organização social, cultural e intelectual. Moraes sabe que a ritualização dos quotidianos será a primeira a desaparecer, até porque já vinha assistindo a este fenómeno no Ocidente. Daí que tantas vezes nos refira esses gestos nos quais pressente a presença de uma vastíssima tradição e de uma antiquíssima sabedoria, como os do chá-no-iu (a cerimónia do chá).

A propósito deste livrinho, fui 'desenterrrar' e relembrar os velhinhos "Serões no Japão" e "Cartas do Japão" do meu pai. No conjunto, passei uma bela tarde na companhia de Moraes (e de umas chávenas de chá) relembrando nas suas palavras a sabedoria de NB (e parte do segredo do seu sucesso, suspeito), quando refere as propriedades do chá: "excita ligeiramente o organismo, combate o cansaço das vigílias, predispõe ao bem-estar, infiltra no cérebro não sei que subtil embriaguez, lúcida todavia, que nos torna mais afectivos às sensações de agrado e mais aptos às elaborações do pensamento."!! ;-)

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