Siddhartha

by Herman Hesse | Literature & Fiction |
ISBN: 0486406539 Global Overview for this book
Registered by wingcontowing of Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on 12/26/2007
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Journal Entry 1 by wingcontowing from Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Wednesday, December 26, 2007
Este é um livro que já li pelo menos duas vezes mas a última das quais há já tempo demais: em breve voltarei a pegar-lhe, agora já não naquela edição velhinha do meu pai, da Minerva de Bolso, mas nesta bonita 15ª edição da Casa das Letras oferecida este Natal, com uma dedicatória "especial de corrida", por NB (juntamente com o delicioso "O Corrupto e o Diabo").

"Siddhartha" foi escrito em 1922 por Herman Hesse (1877-1962), alemão naturalizado suíço, Prémio Nobel da Literatura em 1946. Do que me lembro, ou da ideia que em mim deixou, este é um livro de sabedoria, deslocado dos tempos que correm e por essa razão de leitura indispensável para se olhar para os dias de hoje com olhos de ver; tem tanto de lição de vida como de rebelião contra as escolas e doutrinas de pensamento. Em breve poderei confirmá-lo!

Journal Entry 2 by wingcontowing from Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Wednesday, August 13, 2008
E reli-o agora, numa altura em que não queria estar a ler mais nada que não alguns livros “obrigatórios” (guia de férias e livro de preparação para um curso a começar em breve), mas em que não consegui resistir a pôr algo mais pelo meio, para aliviar o peso das “obrigações”.

E em boa hora o fiz! Este é realmente um daqueles livros que vale bem a pena reler volta e meia e relembrar algo do que já sabemos, do que devíamos saber todos os dias e ter sempre presente. Por exemplo, que para encontrar é importante não procurar, que só o conhecimento é transmissível mas não a sabedoria, ou que o tempo não é real mas uma ilusão que criámos e que restringe a forma como percepcionamos a vida.

Mas ainda assim, houve uma diferença fulcral neste meu regresso a Siddhartha: estou 20 ou 25 anos mais velha e, inevitavelmente, com uma ideia de conhecimento do mundo mais alargada (se bem que, não duvido, mais fechada sobre si própria porque também o conhecimento e experiência acumulados restringem a nossa percepção da vida). Por isto, senti neste livro algo que não me tinha sequer ocorrido nas leituras da juventude: a presença de um ocidental na origem da escrita e, mais ainda, de um ocidental individualista e egocêntrico. E acho que esta noção me chocou um pouco!

Este livro conta a história de um velho barqueiro que à sombra das árvores se senta a escutar o rio e a quem chamam de sábio. Conta como, filho de um brâmane, ele abandona um futuro promissor por uma vida ascética, como ele se torna um samana e como ouve os ensinamentos do Buda, Gautama, como prossegue o seu caminho em busca do caminho certo e da verdadeira felicidade que ainda assim lhe escapa e como, arrastado pelos seus desejos, se entrega a uma vida de prazer e riqueza que apenas o leva à erosão das conquistas anteriores, tornando-o apenas em mais um entre o “povo de crianças”. Até que, não sendo praticante nem devoto, sem meditar nem recitar, Siddharta se deixa envolver pelo mundo e pelo ritmo da natureza, obrigando o leitor a debruçar-se e a escutar com ele as respostas do rio.

Uma passagem que na adolescência transcrevi, que li e reli inúmeras vezes e agora, tanto tempo depois, reconheci e se mantém uma das predilectas:
“Quando alguém procura pode acontecer que os seus olhos vejam apenas a coisa que ele procura, que não permitam que ele a encontre porque ele pensa sempre e apenas naquilo que procura, porque ele tem um objectivo, porque está possuído por esse objectivo. Procurar significa ter um objectivo. Mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objectivos.”

Obrigada!! ;-)

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