Gente Independente

by Laxness, HallDór | Literature & Fiction |
ISBN: Global Overview for this book
Registered by marialeitora of Vila Real, Vila Real Portugal on 11/3/2007
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Journal Entry 1 by marialeitora from Vila Real, Vila Real Portugal on Saturday, November 03, 2007
“Gente Independente”, que é considerado uma obra-prima da literatura do século xx, é a história de um homem obcecado por ovelhas, Bjartur, que passados dezoito anos a trabalhar “como um escravo” para o patrão, o latifundiário governador do distrito, lhe consegue comprar a crédito um pequeno rebanho e uma quinta que todos acreditavam estar assombrada. Nessa quinta vivera, havia séculos, a bruxa Gunnvör e o marido. Ela “descansava pouco na sua sepultura e muitas vezes aparecia nos seus antigos aposentos. Reanimava alguns daqueles homens que tinha morto (…) e as pessoas que viviam em Albogastaðir tinham pouco descanso uma vez instalada a balbúrdia ao cair da noite.” Mas Bjartur não acredita em bruxas nem em fantasmas, e está “decidido a ser um homem livre na sua própria terra, um homem independente como outras gerações que aqui se instalaram antes dele.” Mas serão a liberdade e a independência possíveis nesta Islândia quase feudal, miserável, sem recursos naturais, cuja população vivia quase apenas da pastorícia, e à época ainda ocupada pela Dinamarca (só se tornaria independente em 1944)? E que preço terá ele, e os que dele dependem, que pagar?
Bjartur é uma das personagens mais inesquecíveis e mais fascinantes da história da literatura do último século: heróico, brutal, poético, teimoso, cínico e infantil. “Ele era somente um simples agricultor do interior dos vales e lutara contra a natureza e os monstros do país com as suas próprias mãos, enquanto a sua mais elevada cultura provinha toda das rimas e das sagas antigas, onde homens lutavam uns contra os outros sem mais preâmbulos, esquartejavam-se uns aos outros e empilhavam os restos mortais.” É heróico na sua luta contra os fantasmas de um “passado de mil anos” e contra uma natureza demasiado hostil, que sucessivamente o vão impedindo de sair da pobreza, “lombrigas não são a pior das desgraças que podem ocorrer nos vales remotos, mas antes as forças ocultas da existência que não podem ser contidas nem sequer com uma boa colheita de feno. A velha tinha razão quando dizia que o pior estava para vir.”; é brutal porque se preocupa mais com o bem-estar das ovelhas do que com o da sua própria família, “se as ouvisse queixarem-se da humidade, respondia-lhes, que cobardes míseros eram aqueles que se importavam com o tempo molhado ou seco. Não passa de mais uma maldita excentricidade isso de querer estar seco, dizia, tenho estado molhado durante mais de metade da minha vida, e nunca me senti mal por isso.”; é poético como um bardo viking, ao compor poemas no tradicional estilo islandês das complexas rimur, e é com essa poesia que acaba por salvar a sua própria vida num dos episódios mais oníricos e de maior tensão dramática de todo o romance: aquele em que Bjartur, montado numa rena macho (o diabo Kólumkilli?), se precipita nas águas geladas do rio Glaciar e depois declama todos os poemas antigos que conhece para se manter acordado; é teimoso na obsessão pela sua independência, mesmo quando lhe morrem a primeira e a segunda mulher e quase todos os anos tem que carregar às costas o caixão de um filho recém-nascido. “A noite nunca chega a ser tão escura e longa que os homens não depositem a sua esperança no distante nascer do dia.”; cínico ao defender a primeira Guerra Mundial “sim, esta maravilhosa guerra mundial, queira Deus que nos seja concedida de novo uma igual muito em breve (…). Oxalá assim continuem por tempo indefinido, para que o valor da carne e da lã continue a subir.”; e é infantil na maneira como resolve o que parece ser o centro de todo o romance, o conflito entre Bjartur e a filha, Ásta Sóllilja, que ele anos antes expulsara de casa (e que na verdade não era sua filha), ao socorrer-se de um convite de uma criança que vê por acaso a brincar na rua, Björt (feminino de Bjartur, que significa “resplandecente”), e que acredita ser filha de Ásta, para beber café em sua casa.
A imaginação prodigiosa de Halldór Laxness leva-nos, por vezes, a visitar um mundo onde elfos e trolls convivem em harmonia com os humanos numa branca paisagem gelada, e onde tempestades de neve quase irreais nos trazem os sons estranhos das mais belas músicas dos modernos islandeses Sigur Rós e Björk.
Laxness inspirou-se nas sagas medievais islandesas para escrever este inesquecível romance, pois não aparecem por acaso as frases longas, que tentam dar um efeito de acumulação ao enredo; nem a narração por vezes no presente, dando à história uma presença mais real; ou a alternância, que não é simples, entre presente e passado, ou entre discurso directo e indirecto; até a última parte do livro se intitula “Fim da História”, à maneira dos vikings.
Um dos livros "da minha vida". Absolutamente fabuloso.

Bookring (3 de Novembro de 2007):

1-Pazyryk
2-Irusdodot
3-Tiagoav
4-Felicidade
5-Sesese
7-Isabelopes
8-vibarao
9-Kittycatss
10-JotaP

Journal Entry 2 by Jota-P from Sacavém, Lisboa (distrito) Portugal on Thursday, November 08, 2007
Ai que ele é tão grande! Bem, como vem muito bem recomendado, espero não demorar muito tempo a lê-lo. Mas vou fazê-lo de acordo com o meu ritmo próprio, para o saborear convenientemente. Por isso peço desde já desculpa se demorar mais tempo do que aquele que normalmente se recomenda. Mas vou dando notícias.

Muito obrigado marialeitora por esta simpática sugestão e BookRing.

Journal Entry 3 by Jota-P from Sacavém, Lisboa (distrito) Portugal on Thursday, December 13, 2007
Peço imenso desculpa à organizadora do BookRing e aos outros inscritos, mas ulltimamente tenho andado um pouco avesso às leituras. Não é que o livro não pareça interessante, mas as primeiras páginas não me cativaram assim muito, daí que tenha começado a adiar a sua leitura... Até que reparei que já o tinha há demasiado tempo comigo. Decidi, portanto, passá-lo ao próximo da lista, para não o atrasar mais na sua viagem. Vou passá-lo ainda hoje à pazyryk. marialeitora, gostaria de pedir que me colocasses no fim da lista do bookring, pois ainda gostava de tentar ler o livro (de preferência, numa altura mais propícia que esta). Muito obrigado por tudo na mesma!

Journal Entry 4 by pazyryk from Torres Vedras, Lisboa (distrito) Portugal on Thursday, December 13, 2007
Entregue em mão pelo JotaP que fez o favor de se encontrar comigo nesta fria manhã. Pena que eu já estava atrasadita p o trabalho e nem deu tempo de beber café.
Estou muito curiosa para ler este livro. Obrigada JotaP pela entrega em mão, e obrigada marialeitora pela partilha.

Journal Entry 5 by pazyryk from Torres Vedras, Lisboa (distrito) Portugal on Thursday, January 17, 2008
Em primeiro lugar o meu agradecimento à marialeitora pela oportunidade de ler este livro. Enviei-o, no dia 15, para a irusdodot, mas só hoje tive oportunidade de fazer a JE pós-leitura.
Na minha procura de livros que me possam interessar, porque contam histórias de regiões, que de outra forma, nunca viria a conhecer, apareceu o Halldor Laxness e o seu espírito Islandês. Ainda por cima um prémio nobel.
Como tive oportunidade de confessar em determinada altura, o primeiro terço do livro, foi um pouco difícil de ler. Nunca cheguei a colocar a hipótese de interromper a leitura, mas sentia que estava a avançar lentamente. Se calhar há livros que pedem e merecem ser lidos à sua própria velocidade. Talvez este seja um deles.
Apesar dessa dificuldade, acabei e gostei muito do livro. Acredito que há conhecimento e emoções que o livro me passou que me acompanharão durante muito tempo.
A história é passada na região que nós, povo do sul quente da Europa, imaginamos inóspita e extraordinariamente fria do território Islandês. E não é só o clima que é inclemente. A solidão das pessoas independentes acaba por ser igualmente dura e desesperante. O afecto e o carinho são palavras muito supérfluas nesta vida de pastores. Muito, mas não inexistentes. A vida gira entre a miséria e o trabalho duro e absorvente e a esperança, apesar de tudo.
Recomendo vivamente a leitura deste livro.

Aqui ficam umas pequenas pérolas.

“(..) começou a contar em poucas palavras o decurso da existência da falecida mulher, que no fundo não era existência nenhuma, apenas uma prova de como o indivíduo é insignificante tal como nos registos da igreja. O que era o indivíduo só por si? Nada, um nome, quando mais uma data. Hoje eu, amanhã vós. Vamos todos juntar-nos na oração a esse Deus que está acima do indivíduo, ao mesmo tempo que os nossos nomes se extinguem nos registos.”

“Esses dias foram bons. Eram serenos, totalmente isentos de hipocrisia, é essa a marca dos melhores dias, nunca mais se apagaram da memória do menino. Nada acontece, uma pessoa simplesmente vive e não deseja nada mais, e nada mais.”

“O mais extraordinário acerca dos sonhos do homem é que todos se realizam; sempre assim foi, ainda que as pessoas não o queiram admitir. E uma peculiaridade do comportamento humano é que ele não fica nada surpreendido quando os seus sonhos se realizam; é como se sempre estivesse à espera de tal coisa. A determinação e o destino são irmãos, e ambos repousam no mesmo coração.”

“Diz-se que quando o homem se tornar merecedor de habitar uma casa melhor, terá uma casa melhor, que surgirá espontaneamente da terra para ele, a vida encarrega-se de brindar o indivíduo com tudo aquilo que ele merece, e o mesmo se diz da nação como um todo.”

“Sempre fui da opinião, disse ele, que uma pessoa nunca deve desistir enquanto for viva, mesmo que nos tenham tirado tudo. Uma pessoa tem sempre o fôlego que paira dentro de si, ou pelo menos pode ser-nos emprestado. Sim, minha pequena, esta noite comi pão roubado e deixei o meu filho em companhia de homens que tencionam dar uma sova às autoridades, por isso achei por bem vir à tua procura hoje de manhã.”

Journal Entry 6 by irus from Bragança, Bragança Portugal on Friday, January 18, 2008
Chegou ontem e já peguei nele. Tenho imensa vontade de ler este livro. Muito obrigada marialeitora pela oportunidade.
Obrigada pazyruk pelo envio


18 Fevereiro
Marialeitora ainda o tenho mas já não falta muito para acabar e continuar a sua viagem

Journal Entry 7 by irus from Bragança, Bragança Portugal on Tuesday, February 26, 2008
Que livro maravilhoso! A marialeitora já disse quase tudo sobre o livro enão me vou alongar muito.
Mas não me recordo de um personagem recente que me tenha cativado tanto como o velhor Bjartur, casmurro e teimoso como uma mula, que não cede um milímetro às suas convicções, nem quando perde as mulheres ou vai vendo desaparecer os filhos recém-nascidos. Mas é comovente o amor que tem pela flor da sua vida, apesar de saber que não é tão sua assim.
É um livro divertido (fantásticas as conversas entre os agricultores), terno (as divagações amorosas de Ásta Sóllilja, iguais a qualquer adolescente), triste, irónico.
Penso que esta família vai ficar muito tempo comigo, desde a avó que parece eterna, ao pequeno Nonni com os seus sonhos, à revolta do irmão mais velho, até o ingénuo Gvendur.

Ler este livro também foi importante porque me fez recordar um homem de poucas palavras que encontrei na Islândia e que vivia sozinho com um filho numa casa que ficava isolada durante mais de 6 meses, todos os anos. Consegui mais facilmente imaginar a solidão daqueles dois homens e a luta contra os elementos, numa paisagem de uma beleza arrebatadora.

Já contactei tiagoav mas não tive resposta. Enviei PM para Felicidade.

03.03.2008
Já tenho morada da Felicidade. Livro segue esta semana

Journal Entry 8 by felicidade from Lisboa - City, Lisboa (cidade) Portugal on Sunday, March 16, 2008
Chegou no inicio da semana juntamente com outros dois companheiros o que se traduz em muita leitura para pouco tempo disponível, e ainda por são todos de tamanho avantajado! Mas vou tentar ser breve e espero vir a gostar deste livro e deste autos que não conheço.

Obrigada pelo envio e pela partilha!

Journal Entry 9 by felicidade from Lisboa - City, Lisboa (cidade) Portugal on Wednesday, May 28, 2008
Lamento mas passado este tempo ainda nem a meio do livro estou. Gostari de ter coragem para o ler até ao fim, até porque gostaria de saber o que irá acontecer e qual o final, mas tenho dificuldade em arranjar vontade para lhe pegar e não o quero reter mais tempo.
Seguirá para o próximo inscrito assim que tiver a morada.

Obrigada pela partilha!

Journal Entry 10 by SomethingSimple from Cascais, Lisboa (distrito) Portugal on Saturday, June 21, 2008
Chegou! Espero sinceramente conseguir ler este livro pois já me disseram maravilhas sobre ele.
Obrigado marialeitora pela partilha e felicidade pelo envio.

Journal Entry 11 by SomethingSimple from Cascais, Lisboa (distrito) Portugal on Monday, October 27, 2008
Em primeiro lugar quero pedir desculpa por ter retido o livro durante tanto tempo.
Eu queria e ainda quero muito lê-lo mas pura e simplesmente não foi possível.
Seguiu hoje para a Isabelopes.
A todos, boas leituras.

Journal Entry 12 by Isabelopes from Cacém, Lisboa (distrito) Portugal on Sunday, November 02, 2008
Chegou hoje. tenho muita vontade de o ler mas no momneto estao outros à frente! Perdi-me nesta lista de inscritos e confesso que nao sei para quem segue... obrigada pela partilha.

Journal Entry 13 by Isabelopes from Cacém, Lisboa (distrito) Portugal on Sunday, January 04, 2009
Peço desculpa mas nao o consegui ler. Muito parado e discritivo para o meu gosto. Agradeço a oportunidade e a partilha de qualquer forma. Segue para vibarao.

Journal Entry 14 by vibarao from Lisboa - City, Lisboa (cidade) Portugal on Thursday, January 08, 2009
Acabou de chegar. Vem um pouco quebrado, mas nada de grave.
Fiquei um pouco triste por ver que alguns dos anteriores inscritos não conseguiram ler este livro. Penso que não vai acontecer isso comigo, mas quero avisar que não vai ser fácil demorar só um mês, porque tenho outros livros entre mãos. Mas não espero demorar mais de 2 meses.
Obrigado pela partilha.

Journal Entry 15 by vibarao from Lisboa - City, Lisboa (cidade) Portugal on Wednesday, January 28, 2009
Devorei este livro! É verdade que é enorme, que tem uma redacção um pouco ao estilo Saramago, que exige muita concentração na leitura. Mas fez-me recuar ao tempo da minha infância, nos descampados gelados da Beira Baixa. Bjärtur, o herói deste romance, é o decalque completo do meu pai: um criador de ovelhas, rude, com veia de poeta, teimoso, mas de uma honestidade a toda a prova. Também ele foi empregado durante mais de uma dezena de anos, até se tornar agricultor independente; também ele viveu pobremente para poder satisfazer os seus compromissos; também ele pôs muitas vezes a sobrevivência das suas ovelhas à frente do bem estar da mulher e dos filhos. Mas era assim a vida dos pequenos agricultores, naqueles tempos difíceis.
Gostei muito e recomendo vivamente a sua leitura.

2009/02/04 - De volta a casa.

Journal Entry 16 by marialeitora from Vila Real, Vila Real Portugal on Friday, February 06, 2009
e já cá está...cansado mas feliz por ter sido tão amado durante estes 15 meses que andou por fora! ainda bem que gostaram!

Journal Entry 17 by cometa54 at on Wednesday, November 17, 2010
Obrigada marialeitora, cá o recebi :)

Percebi agora que foi ring e na no vi. Obriguei-te a gastar mais selos, sorry.

Então achas que tenho de conhecer mais este Novel?! Está bem.

Não faço colecção de leituras de Nobeis, como poderia parecer. Mas, pelos vistos, já li vários desses laureados. Muitas vezes, lembro-me é de escritores que o não foram e, por mim mereciam, manias, não faço parte dos juris.
( ser-se Nobel - ainda não discutimos essa, no fórum - foi, durante muitos anos, significativo. Agora há prémios, literários, neste caso, ao pontapé. Talvez por isso se dê menos importância. Até se for pela primeira vez ganho por um português. Não é que o Saramago não sabe de pontuação e quase 'não andou à escola' ? Inconcebível! Para muita gente, este não vale. Cada um de nós até escreveria muito melhor, mas é evidente.... )

Raio de feitio que este cometa tem. A boca ( sim, é boca) não é para bc's, gostem ou não do Saramago. É para aqueles gadjos que vivem, ainda em caravelas... que somos todos :((

Não reparaste, maria, em uã coisa, bastamente engraçada, ou viste? O nome da colecção a que pertence « O manuscrito encontrado em Saragoça » .... Rssssss Chama-se 'Gente independente' ! Não é demais?!

Estava a querer ler três books ao mesmo tempo, mas acho que não consigo! Ao mesmo tempo, era pôr as folhas de cada um em cima da dos outros, não ler umas páginas de um, parar e pegar noutro.... é complicado, que pena!

Vá lá :) deste consegui não ler resumos, ante-leitura ehehehe


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