Port-Soudan

by Olivier Rolin | Literature & Fiction |
ISBN: Global Overview for this book
Registered by wingcontowing of Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on 5/7/2007
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Journal Entry 1 by wingcontowing from Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Monday, May 07, 2007
“Foi em Porto-Sudão que tomei conhecimento da morte de A.” O narrador decide então regressar a Paris e procurar compreender as circunstâncias dessa morte, uma espécie de suicídio lento, precedido por uma história de amor infeliz. Pouco a pouco, as peças do xadrez definem-se, e o narrador reconstrói a sucessão de jogadas que levaram ao mate. No começo, havia A., o amigo escritor, marginal num mundo vulgar e conformista, e ela, a jovem mulher, misteriosa, silenciosa e reservada. Depois percebe-se que um dia ela desapareceu, deixando A. à deriva num apartamento vazio, só com as recordações e a “marca de um corpo longamente adorado”. Não restam senão as imensas noites alcoolizadas, os antidepressores, a deriva do corpo e do espírito e, no fim do caminho, o hospital e o suicídio. É então que as distâncias se desvanecem, que Porto-Sudão e Paris, cidades de todos os naufrágios, se transformam numa única cidade, que o narrador e A. se confundem numa única desesperança. Raramente a ausência e o abandono, que “fere mais que a morte”, terão sido escritos com tal força.

“...A beleza deste magnífico livro de Olivier Rolin vem precisamente da energia da indignação, da força contagiante de uma escrita que é toda ela feita de uma visceral recusa de as coisas estarem a ser o que são. E a própria história de amor não é apenas a de uma mulher que um dia pega na roupa e nos sapatos de ténis e parte, é também a suspeita mais terrível de que afinal ela, com quem A. viveu alguns tempos maravilhosos, ou aparentemente maravilhosos, mas onde está a diferença?, ela desde sempre o começara a trair, não por amar um outro, que importância tem isso?..., mas por desde sempre fazer parte, ser cúmplice, conivente, com esse mundo de indiferença generalizada que A. detesta.” – Eduardo Prado Coelho

Journal Entry 2 by wingcontowing from Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Thursday, May 31, 2007
Um livro fantástico, muito bonito, muito bem escrito, muito... muito!
Só de pensar que peguei nele como que por acaso... Às vezes temos estas surpresas, quando menos o esperamos.
Apetecia-me transcrever aqui metade do livro, tantas e tão lindas passagens tem. Assim, vou ver se consigo seleccionar uma ou outra, das que mais gostei para tentar mostrar um pouco do que estou a falar.

Journal Entry 3 by wingcontowing from Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Friday, June 01, 2007
Por exemplo (a falar sobre Literatura):

"Parecia-me por vezes que os homens eram como grandes estátuas vazias e no interior escuro das quais bramia um fragor desmedido, distorcido pela mutiplicação desordenada dos ecos: e escrever seria então tentar orquestrar esse puro rumor do caos. Abrigávamos, sob a magestade muda do céu, estas ressonâncias de cisternas, esses mugidos de oceano nas grutas, de animais degolados em subterrâneos. Isto tinha que ver com a demência e a morte, ou então, se quisermos, com a razão e a vida consideradas como a luta confusa e perdida de antemão que travamos contra esses poderes aniquiladores, o adiamento do momento em que eles viriam fazer-nos calar. Escrever teria sido compor música entre a desordem e o silêncio eterno."

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