História de um alemão: memórias 1913-1933

by HAFFNER, Sebastian | History |
ISBN: 9722027700 Global Overview for this book
Registered by cometa54 of Setúbal, Setúbal Portugal on 10/14/2005
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Journal Entry 1 by cometa54 from Setúbal, Setúbal Portugal on Friday, October 14, 2005


« .... E, no entanto, acredito (...) que com a história fortuita e privada da minha pessoa fortuita e privada, conto uma faceta importante e desconhecida da História da Alemanha e da Europa. Importante - e mais significativa para o futuro do que revelar quem incendiou o Reichtag ou quais as verdadeiras palavras trocadas entre Hitler e Rohm. »



Journal Entry 2 by anamae on Monday, August 06, 2007
Aqui vou invocar o 10º direito inalienável do leitor. "O Direito de Não Falar do Que se Leu".
Vou limitar-me a transcrever algumas passagens do livro e cada um que interprete como quiser..

(...)"Entretanto, os intrusos tinham chegado à biblioteca. A porta abriu-se de rompão, uma vaga de uniformes pardos precipitou-se para o interior. Um deles, que parecia ser o chefe, gritou com voz de pregoeiro, sonora e firme:'Os que não são arianos têm que abandonar imediatamente o local.'. Reparei que se servira da fórmula rebuscada de 'os que não são arianos' e o termo vulgar 'local'. Alguém voltou a responder no mesmo tom de há pouco: 'Já se foram embora'. Os vigilantes mantinham-se de pé como se estivessem a fazer a saudação. O meu coração palpitava. O que fazer, como defender as convicções próprias? Havia que ignorá-los, não consentir que nos interrompessem! Li mecanicamente uma frase ao acaso:'A afirmação do acusado é inexacta, mas irrelevante'. Agir como se eles não estivessem ali.
Entretanto, um dos uniformes pardos aproximou-se de mim e perguntou-me:
-O senhor é ariano?
Sem mesmo reflectir, respondi:
-Sim.
Ele examinou o meu nariz de perto e... afastou-se. O sangue afluiu-me ao rosto. Tomei consciencia da vergonha, da derrota com um momento de atraso. Respondera:'Sim'. Bom, eu era realmente ariano. Não mentira. Simplesmente permitira que acontecesse uma coisa muito mais grave. Que humilhação a de ter respondido tão fácilmente ao primeiro que me perguntou se era ariano- algo a que não atribuía qualquer valor. Que vergonha a de comprar com uma resposta o direito de me deixarem em paz com os meus documentos! Tinham-me apanhado de surpresa! Falhara logo no primeiro teste! Senti vontade de me esbofetear!"

"Como já mencionei, há muito que o meu pai se reformara, não dispunha de nenhum poder oficial e nada poderia ter feito para prejudicar os nazis, mesmo que o quisesse. Parecia, assim, fora d linha de mira. Contudo, também um dia recebeu uma carta oficial que continha um extenso questionário. 'Ao abrigo do artigo X da Lei para o Restabelecimento do Funcionalismo Público Profissional pedimos-lhe que responda às seguintes perguntas de forma exacta e completa... Ao abrigo do artigo Y, a contestaçaõ ou respostas incorrectas terão como consequencia a perda de pensão...'
Eram muitas perguntas. O meu pai devia indicar a que partidos políticos, associações e organizações pertencera ao longo da vida, devia expor em que servira a nação, explicar isto, pedir desculpa por aquilo e, por último, assinar uma declaração impressa do seu 'apoio sem reservas ao governo do dspertar nacional'.
(...) O questionário ficou em cima da secretária durante vários dias. Contudo, uma tarde, ao entrar no escritório do meu pai, vi-o sentado atrás da secretária a preencher o questionário, lenta e laboriosamente, como um aluno a compôr uma redacção. Meia hora mais tarde, ele mesmo foi deitar a carta no correi9o antes de ter tempo para mudar de ideia. Não denotou qualquer mudança de atitude externa, a voz não atraiçoou qualquer emoção, mas aquilo excedera a sua capacidade de resistencia. (...) No caso do meu pai foi o estõmago o atingido. Mal voltou a sentar-se à secretária, levantou-se imediatamente de um salto e começou a vomitar convulsivamente. (...)

(...)"O pior foi quando ele acabou (discurso de Hitler). A música deu o sinal e todos erguemos os braços. Alguns hesitaram como eu. Era uma humilhação tão terrível. Mas queriamos ou não passar no exame? Pela primeira vez, invadiu-me uma sensação tão forte que me deixou que me deixou um gosto amargo na boca. 'Isto não conta. Não sou eu' E animado por este raciocínio, também eu levantei o braço e mantive-o esticado na frente mais ou menos uns três minutos. O tempo que duraram os acordes do hino Nacional e da canção 'Horst Wessel'. A maioria cantava com uma voz enérgica e sonora. Eu movia um pouco os lábios fingindo cantar, tal como se faz com os hinos na igreja.
Mas todos conservamos os braços esticados diante do aparelho de rádio que os erguera como o bonecreiro faz com os seus fantoches e todos cantamos ou fingimos cantar, cada um de nós a Gestapo dos outros. "

Journal Entry 3 by cometa54 from Setúbal, Setúbal Portugal on Sunday, January 27, 2008
Fugiu... estará emprestado à M. Costa? confirmar :s

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