Os dez espelhos de Benjamin Zarco

by Richard Zimler | Literature & Fiction |
ISBN: 9720031298 Global Overview for this book
Registered by wingArvoreswing of Porto Santo (ilha), Madeira Portugal on 11/8/2018
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Journal Entry 1 by wingArvoreswing from Porto Santo (ilha), Madeira Portugal on Thursday, November 08, 2018
Quando comecei a ler o livro, tive uma sensação de "déjà vu" (ou déjà lu). Via perfeitamente "o filme" a passar na minha cabeça, os personagens e a acção. Depois, fez-se luz! A primeira parte tem por base um conto que Zimler publicou na antologia "Uma dor tão desigual". Fiquei mais aliviado, não havia em mim nenhuma loucura, pelo menos neste episódio :-)

Ao ler Zimler fico com a sensação de que me persegue, mas sempre no bom sentido. Em cada livro, "apanha-me" com os temas que vivo no momento, aqueles que me interessam ou afligem, "apanha-me" nas minhas memórias, nas mais felizes e nas mais dolorosas. Neste livro, Richard Zimler aborda o xamanismo, a reencarnação, o Legado Ancestral, o misticismo judaico, o Ser Supremo que somos todos, o 'mesirat nefesh'. Mas também o envelhecimento, o abandono e a crueldade. E o amor, livre de complexos e de preconceitos.
Fico sempre profundamente comovido com a forma como o autor fala da amizade e da lealdade, assuntos recorrentes nos seus livros.

D' Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco, guardarei uma oração poderosa (que não sei de onde vem, nem me interessa) e duas frases:
"Talvez nenhum de nós tenha alguma vez consciência do efeito que tem no mundo" e "Todas as pessoas que amei são a minha verdadeira pátria".
Nem que fosse só por eles, o livro já teria valido a pena.

Apenas um pormenor negativo: por vezes a tradução irritou-me profundamente, apesar dos rasgados elogios de Zimler à tradutora.

Vai agora começar a circular num Ring. Boas leituras!
A "avaliação" talvez fosse "7,5", mas não existe.

Journal Entry 2 by wingArvoreswing at Porto Santo (ilha), Madeira Portugal on Thursday, November 15, 2018
Iniciou a viagem do "ring" ontem. Foi ter uma conversinha com a conto.

Journal Entry 3 by wingcontowing at Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Wednesday, November 21, 2018
Oh zEUS!
Já anda a conversar comigo, já lhe li uns 15% das páginas e a JE ficava para o fim. Ts, ts, ts...

Journal Entry 4 by wingcontowing at Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Tuesday, December 18, 2018
Segue caminho amanhã para o próximo da lista, Mr. Jota.

Tenho alguma dificuldade em avaliar este livro e nem sei se sei bem porquê (quanto mais explicar).
Li-o adictamente (há muito que não lia durante tanto tempo na cama, sem que o sono se sobrepusesse violentamente) e gostei sem dúvida de várias coisas, como as várias vozes narrativas, algumas das questões tratadas (e.g. sobre como não passar um trauma aos filhos sem, ao mesmo tempo, os deixar de fora daquilo nos molda como pessoas), a forma como as personagens nos agarram e a delícia daquelas relações entre parentes, amigos e amores, que me deixa a pensar que todas as relações deveriam ser assim, fortes, sentidas, vividas, mas que infelizmente não são.
Depois, há algo de inverosímel em tudo (e nem sequer me refiro às questões mais isotéricas, de todo) que talvez comece exactamente na última coisa de que falei no parágrafo anterior. Deveria ser assim, mas não é!
Em suma, é um livro bonito e bem escrito, que fala até de coisas importantes e levanta questões relevantes. E no entanto, do que eu gosto mais é de livros sobre pessoas normais, sobre vidas normais. Este é de um tempo demasiado próximo para não olhar as personagens como actuais e ao mesmo tempo demasiado ficcionado, o que não me permite senti-las como reais. Talvez seja por aqui, mas não tenho a certeza...

Em todo o caso, muito obrigada Arvores, porque gostei de o ler e porque teria muita pena de o não ler.

Editado para copiar um trecho que recordo ter-me feito muito sentido, numa fala de Benni a Eti: “Para te dizer a verdade, miúdo, já nem sei o que quer dizer ‘loucura’. Ultimamente, tantas palavras se despiram do seu significado. Mesmo quando digo parvoíces de mim para comigo em iídiche, paro e penso: ‘Aquela palavra costumava ser importante, redonda e importante, agora é só... só uma coisinha de nada, microscópica, e não faço a menor ideia do que raio ela significa.”

Journal Entry 5 by Jota-P at Sacavém, Lisboa (distrito) Portugal on Wednesday, December 19, 2018
Chegou hoje de manhã! Estou ansioso para o começar a ler! Obrigado pelo envio, conto, e obrigado ao Arvores por esta partilha!

Journal Entry 6 by Jota-P at Sacavém, Lisboa (distrito) Portugal on Monday, February 11, 2019
Antes de mais, gostaria de começar pelo princípio. Por que razão se terá optado por este título para a edição portuguesa, quando o título original é The Incandescent Threads? Não teria feito mais sentido, neste caso, uma tradução mais literal do título em Inglês? Eu percebo que Benjamin Zarco acabe por ser, mais ou menos, o elo de ligação em cada capítulo, mas sinceramente não me parece que seja a personagem principal. Shelly, o outro sobrevivente do Holocausto deste romance é, a meu ver, outra personagem importante, até porque também lhe é dada atenção em mais do que um capítulo. Ou Ethan, o filho de Benjamin, que tem direito a dois capítulos em voz própria. Na verdade, este é um livro composto por várias personagens, pelo que não consegui perceber a opção editorial de dar mais “protagonismo” a Benjamin (e de certeza que isto foi algo com a concordância de Zimler, pois o livro não foi editado sem a sua supervisão).
The Incandescent Threads faz muito mais sentido, pois até está mais de acordo com a história que nos está a ser contada, nomeadamente pelo facto de ser contada a várias vozes e em diferentes momentos históricos, e que é sustentada pelo que temos possibilidade de ler determinada altura: «(…) tudo o que acontece está interligado por finos filamentos de causa e efeito (…). [Benjamin] Chamava-lhes os fios incandescentes, porque dizia que emitiam uma luz quente, pelo menos para os com visão mística suficiente para os verem.» e, mais à frente “(…) os fios incandescentes estão sempre à nossa volta, à espera de que os vejamos e utilizemos para encontrar em segurança o nosso caminho para o passado ou para o futuro.»
A verdade é que gostei deste livro, mas não gostei tanto como gostei de outros livros de Zimler (A Sétima Porta, livro que já li duas vezes, continua a ser o meu preferido, não só pela temática, mas também pela forma tocante a que, de resto, Zimler nos foi habituando em toda a sua obra literária). Por que não terá este livro conseguido “convencer-me” totalmente...?
Creio que isso se deveu ao que a conto escreveu no seu comentário. Tal como ela, não senti as personagens como "reais", aliás, pareceram-me todas até muito iguais, sem nada que verdadeiramente as diferenciasse. A par disso, pareceu-me muito inverosímil a forma como alguns temas foram abordados, especialmente o tema da homossexualidade. Será que nos anos 40 do século XX tantas personagens achariam banal ver dois homens beijarem-se ou aceitar-se tão facilmente como normais experiências homossexuais (masculinas), como é dado a entender na narrativa? Eu sei que Zimler é um autor abertamente homossexual e, provavelmente, é seu objectivo tornar este assunto específico num “não-tema”, ou seja, banalizá-lo, transformá-lo numa coisa “normal”. Mas penso que a bem da verosimilhança daquilo que escreve, tendo em conta os contextos históricos em que decidiu ambientar a narrativa, poderia ter sido mais cauteloso.

Agora, aquilo de que mais gostei neste livro… De certa maneira, gostei que a história seja narrada de forma não cronológica. Trata-se de uma opção que exige muito mais dos leitores, e que pode desagradar a um grande número deles. A mim, porém, não desagradou. Gostei igualmente do facto de serem utilizados diversos períodos históricos. Quanto a este ponto em específico, quero ressaltar, porém, que o meu capítulo preferido foi, sem dúvida, “Variações sobre Uma Melodia Antiga”. Quem me dera que esse capítulo fosse mais desenvolvido e se tornasse um livro autónomo do “ciclo sefardita” zimleriano. Da mesma forma, gostaria tanto de ler um romance dedicado a Rosa Zarco, a guardiã das tradições da família, disposta a sacrificar-se pela salvação dos seus descendentes. Quão maravilhoso não seria que Zimler viesse a escrever um livro só sobre essa personagem?
E dito isto tudo, o que poderei eu acrescentar? Que é um livro de Richard Zimler e, como tal, é impossível eu não gostar. É um livro sobre seres humanos, das relações que estabelecem entre si. E é também um livro sobre sobrevivência e aquilo que impele cada ser humano a continuar a viver, mesmo depois de ter presenciado ou até mesmo vivenciado, as mais nefastas e inacreditáveis atrocidades de que o ser humano é capaz. Não será sempre sobre a redenção do ser humano que Zimler escreve? De facto, o ser humano é, inexplicavelmente, capaz de perpetrar as piores atrocidades sobre o seu semelhante. Mas por via da amizade, por via do amor, por via dos laços familiares e por via da justiça, o ser humano detém em si igualmente o poder da redenção.

Muito obrigado, Arvores, por me teres dado a oportunidade de ler este livro. Zimler é Zimler e eu serei sempre um seu indefectível leitor...

Journal Entry 7 by Janeka at Reguengos de Monsaraz, Évora Portugal on Wednesday, February 20, 2019
O livro já está comigo.
Ainda tenho algumas leituras pendentes, mas vou tentar não demorar.

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