Vozes de Chernobyl História de um desastre nuclear

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Journal Entry 1 by marialeitora from Vila Real, Vila Real Portugal on Wednesday, August 09, 2017
Vozes de Chernobyl é a mais aclamada obra de Svetlana Alexievich, Premio Nobel de Literatura 2015, tida como o seu trabalho mais duro e impactante.
A 26 de abril de 1986, Chernobyl foi palco do pior desastre nuclear de sempre. As autoridades soviéticas esconderam a gravidade dos factos da população e da comunidade internacional, e tentaram controlar os danos enviando milhares de homens mal equipados e impreparados para o vórtice radioativo em que se transformara a região. O acidente acabou por contaminar quase três quartos da Europa.
Numa prosa pungente e desarmante, Svetlana Alexievich dá voz a centenas de pessoas que viveram a tragédia: desde cidadãos comuns, bombeiros e médicos, que sentiram na pele as violentas consequências do desastre, até as forças do regime soviético que tentaram esconder o ocorrido. Os testemunhos, resultantes de mais de 500 entrevistas realizadas pela autora, são apresentados através de monólogos tecidos entre si com notável sensibilidade, apesar da disparidade e dos fortes contrastes que separam estas vozes.

Vou fazer um ring:
1-Maria Nunes
2-Conto
3-Pequete
4-Irus
5-Árvores
6-FallenAngels
7-Lady love
8-Janeka
9-Baiia

Journal Entry 2 by Maria-Nunes at Lisboa - City, Lisboa (cidade) Portugal on Friday, August 11, 2017
chegou!

Journal Entry 3 by Maria-Nunes at Lisboa - City, Lisboa (cidade) Portugal on Friday, August 18, 2017
Ler este livro é "levar vários murros no estômago"...

Estes excertos são apenas alguns:
“Nos primeiros dias não encontrei lá pessoas indiferentes, o vazio nos olhos apareceu mais tarde, quando a gente já estava mais ou menos habituada. (…) Fui levado pelo arroubo masculino…Os homens a sério participam nas ações a sério. E os outros? Que se escondam atrás das saias das mulheres… (…) Sim, é arriscado. Sim, há perigo, é a radiação, mas alguém tem de o fazer. E como fizeram os nossos pais na guerra?
Voltámos para casa. Tirei tudo, despi toda a roupa que usava lá e atirei-a para a a conduta do lixo. Quanto ao barrete, dei-o ao meu filho pequeno. Ele pedira-mo muito. Andava de barrete sem nunca o tirar. Dois anos depois foi-lhe diagnosticado um tumor cerebral…
Pode acabar por mim… Não quero falar mais…” (página 104)

“Chegámos a uma aldeia contaminada. Junto à escola umas crianças jogam à bola. A bola rolou para dentro de um canteiro de flores, as crianças cercam-no, andam á volta dele, mas têm medo de tirar a bola. No início não percebi sequer qual era o problema (…) E dirigi-me ao canteiro. As crianças gritam: “Não pode! Não pode! O senhor não pode!”. Em três anos (isto aconteceu em 1989) tinham-se habituado à ideia de que não se podia sentar na relva, apanhar flores. Não se podia subir a uma árvore. Quando as levávamos ao estrangeiro e pedíamos: “Vão ao bosque, vão ao rio. Nadem, apanhem sol”, era preciso ver com que passo inseguro as crianças entravam na água… Como passavam a mão pela relva… Mas depois… Depois… Quanta felicidade! Podia-se de novo mergulhar, estar deitado na areia… Andavam o tempo todo com ramos de flores, faziam coroas de flores de campo.” (página 180)

“Tenho medo de viver nesta terra…
Deram-me um dosímetro, mas para que o quero? Lavo a roupa, fica toda branquinha, o dosímetro apita. Faço a refeição ou um pastelão: apita. Faço a cama: apita. Para que o quero eu? Dou de comer aos meus filhos e choro. “Porque choras, mamã?” (…) Passo com eles o tempo todo nos hospitais. (…) É uma doença do sangue, nem consigo pronunciar o nome. Estou a acompanhá-lo ao hospital e penso: vai morrer. (…) Choro na casa de banho. Todas as mães choram na casa de banho, mas não nas enfermarias. Regresso alegre: “Já tens bochechinhas mais rosadas. Vais recuperando.” “Mamã, tira-me do hospital. Aqui morro. Aqui todos morrem.” Onde posso chorar? Na casa de banho? Há uma fila para lá… São todas como eu…” (Página 213)

“Não, não, não tenha medo, não vou chorar… Desaprendi de chorar. Quero falar… Às vezes é tão difícil, tão insuportável, que quero dizer a mim mesma, convencer-me a mim mesma de que não me lembro de nada. Como uma amiga minha. Para não enlouquecer… (página 313)

Journal Entry 4 by wingcontowing at Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Friday, August 25, 2017
Até estou com receio, depois da leitura que fiz da "amostra" que a maria nos deixou.
Entretanto, comecei hoje uma leitura nova, mas pego neste logo de seguida.
Obrigada Marias!!

Journal Entry 5 by wingcontowing at Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Monday, September 18, 2017

(foto retirada de Wikipedia sob "Chernobyl disaster" -
"Map of radiation levels in 1996 around Chernobyl"
pode-se ver maior se se clicar nela
)

Aproveitando o que referi no fórum:
Estava difícil, mas terminei.
Não posso dizer que tenha gostado muito. Acho que é duro de mais para isso. É mais como "ainda bem que o li; é importante que isto seja lido, que seja sabido". E sem dúvida que é bem escrito (ou bem transcrito, o que não tenho dúvidas de que é uma arte complexa). No entanto, fiquei com vontade de ler o outro dela que anda por aí, num bring em que me inscrevi no ano passado (qualquer coisa do homem soviético, acho eu) o que não deixa de ser paradoxal. Enfim...
Talvez por coisas como esta: "A mentalidade soviética. Ruiu... Desintegrou-se a União Soviética... E durante muito tempo estivemos à espera de ajuda de um país grande e poderoso que já não existia. O meu diagnóstico... Quer que o dê? Uma mistura de prisão e jardim de infância, eis o que é o socialismo. O socialismo soviético. O homem entregava ao Estado a sua alma, a sua consciência, o seu coração, e em troca recebia uma ração. Aí já depende da sorte que tiver, há quem apanhe uma ração grande, há quem apanhe uma pequena. Uma coisa é certa: essa ração é entregue em troca da alma."

Vai segui para a Pequete mais lá para o fim da semana, como a própria me pediu.
Obrigada marialeitora, por mais esta partilha!

Journal Entry 6 by Pequete at Bragança, Bragança Portugal on Friday, September 29, 2017
Está comigo! A começar brevemente.

Journal Entry 7 by Pequete at Bragança, Bragança Portugal on Friday, January 26, 2018
Afinal demorei bem mais do que tinha planeado, as minhas desculpas a todos os inscritos. Faço minhas as palavras da conto, este não é um livro que se goste - no sentido de ter prazer - de ler, mas é um livro que se gosta de ter lido - no sentido "ainda bem que o lemos". Vou passá-lo à irus, assim que tiver oportunidade de combinar um encontro. Obrigada, maria!

Journal Entry 8 by irus at Bragança, Bragança Portugal on Tuesday, February 06, 2018
Bem, apesar do encontro com a Pequete estar difícil o livro acabou por me chegar às mãos.
Conto dar notícias em breve.

Journal Entry 9 by irus at Bragança, Bragança Portugal on Thursday, March 08, 2018
É difícil dizer algo de novo ao que já foi dito e transcrito atrás.
É um livro que nos agarra com a violência de toda a dor humana, a dor dos sobreviventes e daqueles que sabem que têm os dias contados. Uma guerra (todos repetem que o sentimento era semelhante) onde não se consegue combater o inimigo, porque este é invisível e continua a fazer vítimas mesmo de depois de acabar.

Ao mesmo tempo (e dessa parte posso dizer que gostei) é um retrato daquilo que faz de nós humanos: o sentido de partilha, o amor à terra e às casas (pungente, a história do homem que, tendo de escolher um só objeto, escolheu levar a porta da casa, porque aí se registaram muitos episódios da sua vida e da família), a hospitalidade e até os pequenos gestos, como não recusar a oferta comida, mesmo sabendo que pode estar contaminada (temos mais receio de ofender do que de morrer – ainda há dias ouvi essa frase num filme inspirado nas histórias do Stieg Larsson). Há aqui histórias de um amor tão absoluto que fazem empalidecer qualquer romance.

Numa nota mais pessimista: um livro assim e achámos que a humanidade aprendeu, que nada semelhante poderia voltar a acontecer (aconteceu em Fukushima, não temos é livros sobre os sobreviventes nem sabemos bem o que aconteceu aos que lá andaram) e depois leio uma notícia fresquinha (de ontem, 7 de março) que não me deixa nada descansada. O que vai ser preciso para encerrar, de vez, todas as centrais nucleares?
https://www.publico.pt/2018/03/07/mundo/noticia/apesar-do-baixo-risco-de-acidente-belgica-disponibiliza-pastilhas-de-iodo-gratis-1805811

Livro vai já a caminho da ilha dourada.

Journal Entry 10 by wingArvoreswing at Porto Santo (ilha), Madeira Portugal on Tuesday, March 13, 2018
Chegou hoje à ilha. Tenho andado muito caótico nas leituras (e não só), e isso talvez me atrase um pouco. A ver vamos.

Obrigado pela partilha.

Journal Entry 11 by wingArvoreswing at Porto Santo (ilha), Madeira Portugal on Saturday, March 31, 2018
Não tenho estofo para estes relatos. É demasiado para mim.
Vai seguir para a FallenAngels ASAP.
Obrigado pela oportunidade.

Journal Entry 12 by wingArvoreswing at Porto Santo (ilha), Madeira Portugal on Friday, April 06, 2018
Iniciou a viagem para a FallenAngels na quarta-feira, dia 4.

Journal Entry 13 by FallenAngels at Parede, Lisboa (distrito) Portugal on Friday, April 06, 2018
Está comigo! Obrigada!!

Journal Entry 14 by FallenAngels at Parede, Lisboa (distrito) Portugal on Monday, May 28, 2018
As leituras de Svetlana Alexievich são sempre leituras duras, mas necessárias. Àcerca do desastre em si, que tão bem me lembro, quanto mais se sabe, mais consciência vamos tomando do quão horrível foi e será sempre. Quanto à escrita , um acto tão singelo quanto transmitir apenas o relato dos sobreviventes, prende-nos ao longo das páginas, fazendo também nossa a dor dos outros, porque ainda vamos sendo todos humanos, pelo menos enquanto perdurar o sentimento de empatia.

Obrigada pela partilha e vai seguir para a Janeka.

Journal Entry 15 by Janeka at Turquel, Leiria Portugal on Monday, July 02, 2018
Depois de algum tempo em standby em casa dos meus pais, este livro já chegou às minhas mãos.
Obrigada pela partilha!

*edit* uma leitura tão dura quanto necessária.. tanto que eu não sabia, não conhecia, nem fazia ideia.. tantas vidas que mudaram.
Algo que aconteceu tão recentemente e que eu achava ser tão distante.

Muito obrigada pela partilha, marialeitora. Gostei muito.

Journal Entry 16 by Baiia at Lisboa - City, Lisboa (cidade) Portugal on Wednesday, September 12, 2018
Já cá está! Espero ser breve. Obrigada pela partilha.

Journal Entry 17 by Baiia at Lisboa - City, Lisboa (cidade) Portugal on Thursday, October 04, 2018
É difícl descrever as sensações que este livro me despertou. A escrita é muito boa. Os acontecimentos são descritos de uma forma brutal, mas não poderia ser de outra forma. Obrigada pela oportunidade maria. Segue a caminho de casa.

Journal Entry 18 by marialeitora at Vila Real, Vila Real Portugal on Tuesday, December 11, 2018
Já chegou a casa há semanas...e cheio de histórias para contar. Ainda bem que (não) gostaram...

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