A Travessia

Registered by wingArvoreswing of Porto Santo (ilha), Madeira Portugal on 5/18/2016
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Journal Entry 1 by wingArvoreswing from Porto Santo (ilha), Madeira Portugal on Wednesday, May 18, 2016
Comprei-o no Festival Literário da Madeira, depois de ter ouvido a autora. Saí em lágrimas, do encontro com esta senhora.

Interessa-me muitíssimo a questão dos refugiados, desde que me conheço, e creio que este livro me ajudará a aproximar bastante dos que agora vêm da Síria.

Journal Entry 2 by wingArvoreswing at Porto Santo (ilha), Madeira Portugal on Thursday, March 08, 2018
"Este é o meu segundo testemunho para a saga do massacre na Síria.
(...) estou de novo a forçar a abertura daquela janela, empurrando-a para trás, deixando que um esguio raio de luz penetre apenas o suficiente para revelar as várias camadas de inferno. Sou a contadora de histórias que reflecte acerca das vossas curtas vidas, que mantém o olhar sobre vós, como costumávamos fazer naquelas longas noites, quando nos ríamos às gargalhadas, a tentar adivinhar qual de nós seria atingido pela próxima bomba. Estou a fazer isto por vós. Só consigo invocar-vos na minha mente e usar as vossas histórias para construir pilares que se erguem da terra até ao céu. Estou a escrever para vós: os atraiçoados."

Journal Entry 3 by wingArvoreswing at Porto Santo (ilha), Madeira Portugal on Thursday, March 15, 2018
Decidi fazer um BookRing porque considero que a realidade da Síria deve ser conhecida pelo maior número possível de pessoas.

O livro iniciou ontem a sua viagem.
Inscrições:
- marialeitora
- Pequete
- irus
- ladylouve
- joaquimponte
- conto
- Janeka
- Maria-Nunes
- Meg72
- Baiia
- w_a_s_p
...
- Arvores

Journal Entry 4 by marialeitora at Vila Real, Vila Real Portugal on Monday, March 19, 2018
já cá está. Obrigada, Árvores...vou já pegar nele...

Journal Entry 5 by marialeitora at Vila Real, Vila Real Portugal on Monday, April 02, 2018
“No início, a revolução era pacífica. Lutava-se por um estado democrático e livre. Foram ultrapassadas as diferenças religiosas, sairam todos para protestar. Mas a reacção do regime foi bárbara. Prenderam, torturaram, mataram. Isso obrigou os revoltosos a pegarem também em armas, tornando-se violentos e radicais”.

Numa passagem do livro, um jovem guerrilheiro explica a sua mudança de atitude: “Não tinha intenções de matar ninguém quando me alistei no batalhão. Sempre que entrávamos numa batalha, assegurava-me de que não apontava as nossas armas para uma parte letal do corpo. Todos concordámos em apontar as armas aos pés, mas depois as coisas mudaram. Sabe… Eles bombardearam-nos, prenderam-nos e mataram os nossos meninos, e as coisas ficaram fora de controlo. Eles eram brutais e nós deixámos de nos preocupar para onde apontávamos as nossas balas”.

Pedi-me com o nome das pessoas e das localidades... perdi-me com todas as etnias que se entrecruzam. Não sei nada da Síria e lamento tanto... vou ter que ler mais sobre o assunto. Gostei e odiei esta Travessia. Obrigada Árvores. Segue para a Pequete... Entretanto li isto: https://www.publico.pt/2016/05/01/culturaipsilon/noticia/samar-yazbek-so-um-narrador-ficticio-pode-contar-a-siria-real-1730090

Journal Entry 6 by Pequete at Bragança, Bragança Portugal on Wednesday, April 11, 2018
Está comigo. Obrigada pelo envio, maria, e obrigada pelo ring, Árvores. Comecei há pouco tempo um grande calhamaço, por isso não vou pegar neste já de seguida, mas vou fazer os possíveis por não atrasar demasiado o ring.

Journal Entry 7 by Pequete at Bragança, Bragança Portugal on Tuesday, May 08, 2018
Este não é um livro de leitura fácil, não só pelo tema tratado, mas também pela forma como é apresentado e, no meu caso particular, pela minha ignorância de base relativamente ao conflito sírio.

O livro consiste numa série de relatos de visitas de Samar Yazbek, uma jornalista síria forçada ao exílio pelo regime de Bashar al-Assad, ao seu país natal. O título refere-se às três travessias clandestinas da fronteira entre a Turquia e a Síria, empreendidas pela autora entre 2012 e 2013.

São relatos dispersos, que incluem experiências de estadias com famílias que a acolheram durante a sua estadia, entrevistas com guerrilheiros (maioritariamente do Exército Livre da Síria), e experiências de cooperação com redes de ativistas, para implementar projectos educativos para crianças cujas escolas foram destruídas e para ajudar mulheres (na maior parte viúvas de guerra) a desenvolver pequenos negócios que lhes permitam sustentar-se a si e aos seus filhos.

No início tive alguma dificuldade em adaptar-me ao carácter fragmentário da narrativa. A geografia desconhecida, a profusão de diferentes grupos armados cujos nomes dava comigo a confundir constantemente, e o português pouco fluido, provavelmente resultado de dificuldades de tradução de uma língua bastante diferente da nossa, também não ajudaram. Mas a partir de cerca do primeiro terço do livro, ou porque me habituei, ou porque o texto se tornou mais acessível e os intervenientes mais familiares, comecei a apreciar melhor a leitura.

As principal ideia que retive foi o desalento da população pela transformação daquilo que começou como uma revolta pacífica contra um regime opressor, numa guerra sem precedentes. As retaliações contra manifestantes desarmados durante a Revolta Síria, levaram à criação do Exército Livre da Síria, inicialmente formado por civis e militares desertores do Exército Sírio, que se recusaram a disparar contra os manifestantes. Durante o período coberto por este livro, a zona norte da Síria, libertada do regime de Assad pelo Exército Livre, foi sendo paulatinamente invadida por guerrilheiros fundamentalistas estrangeiros, como a Frente Al-Nusra, aliada à al-Quaeda, e o Estado Islâmico.

O livro termina em 2013, antes de os russos terem entrado na guerra em apoio a Assad, sob o pretexto de prestarem auxílio contra os grupos do Estado Islâmico, e antes, claro está, dos recentes bombardeamentos americanos, franceses e ingleses, em protesto contra os ataques químicos lançados contra civis.

Na grande confusão que se encontra instalada neste país, apenas tenho uma coisa como certa – que as pobres populações civis continuam a sofrer, tanto as que conseguem fugir como refugiadas, como as que se vêm forçadas a permanecer no país.

Não foi, portanto, uma leitura fácil, mas foi uma leitura que valeu a pena. Obrigada por o teres posto a circular, Árvores! O livro vai agora seguir para a irus, assim que tiver oportunidade de estar com ela.

Journal Entry 8 by irus at Bragança, Bragança Portugal on Saturday, June 09, 2018
Ao que consta o livro andou a viajar no carro da Pequete durante várias semanas, até que um encontro fortuito, num lugar e hora inesperada o fizeram mudar de veículo. Está comigo, pois, e conto dar notícias em breve.

Journal Entry 9 by irus at Bragança, Bragança Portugal on Wednesday, October 10, 2018
Demorei a ler o livro, até porque fui intercalando a leitura com outros temas mais "leves". Como se pode imaginar, é uma leitura dolorosa, até porque a autora não esconde nada: corpos fragmentados, crianças sem membros a definhar no hospital, a enorme desolação, da paisagem, dos edifícios, das famílias e dos militares.
No entanto, nunca quis desistir, porque acho a sua leitura obrigatória. Obrigatória no sentido de saber o que passa, de evitar uma visão maniqueísta (seja qual for o lado que se vir a questão), mas também obrigatória no sentido de dar vida e às pessoas retratadas no livro. A autora vários vezes refere isso: que quer dar voz a quem nunca a tem, aos que nunca são ouvidos e só se contam nahora de contas o número de vítimas.

Para lá da dor, o que me impressionou também foi a resilência: das mulheres que continuam a ir ao mercado, todos os dias, mesmo que este seja bombardeado diariamente, de quem continua a receber hóspedes e a pôr comida na mesa, dos pequenos projetos para dar uma modo de vida às mulheres viúvas e dar educação às crianças impedidas de ir à escola.

"Voltei a pensar nos meninos que brincavam na rua a meio dos bombardeamentos. Ninguém estava a escrever acerca das pessoas locais e das suas histórias de heroísmo quotidiano, ou acerca de como elas iam transformar o país. Essas pessoas, cujas vidas eu observava aqui, apercebi-me disso, estavam a mudar a minha própria vida. Sim, mesmo aqui nesta pequena estrada poeirenta ladeada de casas que não tinham sobrevivido aos bombardeamentos, com ervas daninhas que cresciam em volta das esquinas. Estas pessoas eram os anónimos e os ignorados, aqueles que conduziam as suas motas para andarem a tratar dos assuntos diários e que podiam ser mortas em nome da compra de três pães. Viviam uma existência diária amarga. As bombas passavam por cima das suas cabeças e aviões destruíam os seus lares e deitavam fogo aos seus campos. E eles acordavam todas as manhãs cheios de gratidão por ainda estarem vivos."

A caminho da ladylouve, se possível ainda hoje.

Journal Entry 10 by ladylouve at Lisboa - Benfica, Lisboa (cidade) Portugal on Wednesday, October 24, 2018
Já o recebi há alguns dias, mas só agora consegui fazer a JE. Irei iniciar este livro assim que terminar duas leituras que tenho correntemente (e que são um pouco prioritárias por outros assuntos) :)

Muito obrigada pelo envio e pelo ring!

Journal Entry 11 by joaquimponte at Lisboa - Lumiar , Lisboa (cidade) Portugal on Wednesday, November 28, 2018
E chegou a casa, depois de ser entregue em mão. Obrigado arvores e lady

Journal Entry 12 by joaquimponte at Lisboa - Lumiar , Lisboa (cidade) Portugal on Friday, January 04, 2019
Dificilmente se lê uma obra com mais desgraças por metro quadrado. O relato das vidas individuais e da forma como o ser humano reage a situações extremas ( com a noção de qq extremo tem ainda um extremo maior) constitui o lado humano que achei mais interessante esta obra. A confusão política , de movimentos, de passagens da fronteira pouco acrescenta ao seu interesse.

Este livro ajuda a compreender alguns aspectos do conflito sírio mas sobretudo a rever-nos a nós mesmos em situações de vida que dificilmente imaginamos. Obrigado arvores. Durante a próxima semana espero enviar-lo à conto.

Journal Entry 13 by wingcontowing at Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Friday, January 11, 2019
Chegou.
Para pegar depois de acabar o que tenho em mãos...
Obrigada Joaquim.

Journal Entry 14 by wingcontowing at Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Thursday, January 31, 2019
Sem ser uma grande obra literária (que não é, de todo) também não sei até que ponto é bem a obra que precisa ser escrita, ainda que seja preciso contar tudo o que aqui é relatado e, provavelmente, bem mais do que isto.
A questão é que me senti um pouco como perante os noticiários de hoje em dia: quando as imagens se repetem à exaustão deixam de fazer eco. E eu senti isso, às tantas parecia que estava a ler mais do mesmo, só que não era.
Será que o problema está no jornalismo dos dias de hoje ou no mundo dos dias de hoje? Num cenário em que não há "lados certos" excepto o dos civis, é difícil conceber outra forma de relatar a barbárie, mas não consegui, nunca, sentir-me "parte" quando acho que esse deveria ser o objectivo, fazer-nos sentir a todos parte deste mundo, aqui tão perto de nós e, ao mesmo tempo, tão distante.

Vai continuar o anel, seguindo caminho amanhã para a Janeka.
Muito obrigada pela partilha, Arvores.

Journal Entry 15 by Janeka at Reguengos de Monsaraz, Évora Portugal on Wednesday, February 06, 2019
O livro já está comigo, obrigada!:)

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