Gente Independente

by Halldór Laxness | Literature & Fiction |
ISBN: Global Overview for this book
Registered by wingcontowing of Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on 3/31/2015
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Journal Entry 1 by wingcontowing from Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Tuesday, March 31, 2015
"Este romance de Laxness, prémio Nobel de literatura, tem lugar na Islândia, no início do século XX, numa sociedade de servidão e num país com uma natureza inclemente. É a saga de Bjartur, um homem obstinado, inquebrável e inesquecível.
Bjartur vive no limiar da auto-suficiência contando apenas com a sua obstinação e força interior, rejeitando qualquer caridade em nome da independência, valor levado ao extremo das suas consequências. Vive num vale com reputação de assombrado, só confia no seu rebanho, no seu cão e no seu cavalo. Se alguém toca o seu coração é Ásta, a sua filha, mas tudo muda quando ela o desilude e magoa os seus enraizados princípios de honra...
A determinação de Bjartur e a luta pela independência são genuinamente heróicas, assustadoras e chegam a ser cómicas.
«Gente Independente» é uma história épica, ao mesmo tempo trágica e bela. É uma imensa viagem por um mundo onde as almas são levadas até ao precipício e só os mais duros resistem. Um romance imbuído de sentido de humor, de uma crueldade que roça o violento e de uma profunda humanidade. Um romance que continua a comover gerações de leitores."
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Efectivamente, é para mim aquele género de livros que não se compadece com leitura exclusivamente à hora de ir dormir, como andei a fazer no ano passado o que me fez deixá-lo a menos de meio. Agora que lhe peguei de dia e sentada, não o larguei até o acabar.
É um livro de prosa maravilhosa, muitíssimo bem escrito e que (presumo) representa excepcionalmente bem aquele país de fogo e gelo e nos traz gentes agrestes e intransigentes, livres e dignas, contra tudo e todos. O que só acrescenta vontade de ir conhecer esta realidade.
Tudo isto não quer dizer, no entanto, que tenha gostado muito desta obra. Não consegui deixar de o ler até ao fim e reconheço-lhe a genialidade na escrita, mas não é o que eu mais gosto de ler.

Journal Entry 2 by wingcontowing at Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Tuesday, March 31, 2015

Vai passear agora e apanhar ar, até ao Joaquim. Boas leituras!

Journal Entry 3 by joaquimponte at Lisboa - Lumiar , Lisboa (cidade) Portugal on Wednesday, April 22, 2015
Cá chegou e bem saudável. Obrigado conto. Este teu resumo já me abriu o apetite , o tema parece mesmo interessante. E este ano voltei-me um pouco a conhecer a literatura nordica.. graças ao BC. Vou levar um tempo pois ainda tenho dois a meio. E olha, também acho que certos livros são particularmente saborosos antes de dormir e outros não nos largam de dia também. Obrigado.

Journal Entry 4 by joaquimponte at Lisboa - Lumiar , Lisboa (cidade) Portugal on Monday, June 01, 2015
Em sentido estrito, conta-se neste livro a história de uma familia, no contexto da Islãndia rural do inicio do séculoXX e das tradições míticas/poéticas dos povos nórdicos. Mas é mais que uma história novelística, é a “saga “ de Bjärtur, um homem teimoso, que não verga, que não teme ninguém, que pensa por si e que encara a caridade como um abuso . Só por si, este personagem ( rico, detalhado,heroico) é uma figura sem paralelo na literatura que conheço.Creio que um dia haverá palestras e debates e sem duvida um filme sobre Bjartur.
Vive num vale assombrado, um local onde, séculos antes, vivera a bruxa Gunnvör: Ela “descansava pouco na sua sepultura (…) e as pessoas que viviam em Albogastaðir tinham pouco descanso uma vez instalada a balbúrdia ao cair da noite.” Mas Bjartur não acredita em bruxas nem em fantasmas, e está “decidido a ser um homem livre na sua própria terra, um homem independente como outras gerações que aqui se instalaram antes dele.” Mas serão a liberdade e a independência possíveis num mundo de “progresso”, de controle social, de consumo ,de impostos, de poderes que invadem a intimidade do lar? Uma reflexaão sugerida também ao longo da história.

Laxness inspirou-se nas sagas medievais islandesas,pois não surgem por acaso as frases longas, que alongam o enredo (as vezes parecem excessivas);nem a narração por vezes no presente ou a alternância,que não é fácil, entre presente e passado,ou entre discurso directo e indirecto;até a última parte do livro se intitula “Fim da História”,à maneira dos vikings.

Esta noção de "Independencia" , ao modo de Bjartur, é algo que nos toca a todos nos nossos anseios mais profundos, abafados que estão pela fatuidade dos bens de consumo que nos retiram essa “independencia” ( ideia que parece substituir essoutra de “liberdade”?). Curiosa a relação destas ideias com a moderna crise económica . “. Ser pobre é exactamente aquele peculiar estado do homem de não poder desfrutar das condições excepcionais. Ser um agricultor pobre consiste em nunca poder tirar proveito das vantagens que os políticos oferecem ou prometem, e estar à mercê dos ideais que apenas fazem os ricos mais ricos e os pobres mais pobres.”

"Gente Independente" é um romance violento mas sensível, capaz de comover o leitor.Possui ainda um sentido épico comum as obras de Tolkien ( sentimos o vento gelado e as tempestades de neve que nos trazem a música dos Sigur Rós e de Björk ou a poesia que rima e qualquer camponês devera saber compor e decorar facilmente. Diz o heroi , teimoso : "Não inclino a cabeça a dizer o Pai Nosso, pois é um poema sem rima").
Essa poesia acaba por salvar a sua própria vida num dos episódios mais oníricos e de maior tensão dramática do romance: aquele em que Bjartur, montado numa rena macho, se precipita nas águas geladas do rio Glaciar e depois declama todos os poemas antigos que conhece para se manter acordado.É teimoso na obsessão pela sua independência, mesmo quando lhe morrem a primeira e a segunda mulher e quase todos os anos tem que carregar às costas o caixão de um filho recém-nascido. “A noite nunca chega a ser tão escura e longa que os homens não depositem a sua esperança no distante nascer do dia.” . É desajeitada mas emocionante a maneira como, no final, resolve o que me parece ser o centro de todo o romance, o conflito entre Bjartur e a filha, Ásta Sóllilja, que ele anos antes expulsara de casa (e que na verdade não era sua filha).

A prosa maravilhosa, embora por vezes densa, de Laxness enfeitiça-nos. “Por fim ficou quieto e encostou-se contra o vento, como se de uma parede se tratasse, mas nenhum conseguia empurrar o outro para trás.”
E o final do livro é surpreendente, comoveu-me como raro ocorre a ler um livro

Muito obrigado conto, sempre fico surpreso com os livros que me vais sugerindo.

Journal Entry 5 by wingcontowing at Lisboa (city), Lisboa (distrito) Portugal on Thursday, June 04, 2015
Regressou a casa...

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