Psicanálise dos contos de fadas

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Journal Entry 1 by joaquimponte from Lisboa - Lumiar , Lisboa (cidade) Portugal on Saturday, January 03, 2015
Para que uma história atraia a atenção de uma criança é preciso que ela a distraia e desperte sua curiosidade. Mas para que um conto enriqueça a vida de uma criança deve estimular sua imaginação e o intelecto ainda pouco definido, esclarecer suas próprias emoções. Deve ajudá-la a estar em sintonia com suas angústias e aspirações que mal compreende. E ao mesmo tempo deve sugerir soluções para os problemas que sempre perturbam a criança porque não os compreende.

Com este objectivo, em toda a literatura infantil, são os contos de fadas que possuem a estrutura mais adequada, tornando-os um meio privilegiado não apenas para a educação mas também para o bem estar da criança .E o curioso é que também o consegue , de modo diferente, para o adulto que conta um conto de fadas.

Porque o inconsciente é poderoso determinante do comportamento e estes contos dirigem-se simbolicamente a este "canto" misterioso da mente.

Os medos infantis, a necessidade de segurança e a sensação de fragilidade face aos acontecimentos do dia a dia, à doença , ao desaparecimento de familiares, a multiplos factos exteriores e interiores que a criança não entende, mesmo com explicações racionais em abstracto dadas pelos pais, sempre o conto de fadas gera uma base integradora que a criança é capaz de aproveitar. Porque a criança tem necessidade prática, concreta, da magia .

Neste livro original, talvez único no seu género, o autor ( que é psicanalista ) desenvolve os arquétipos desse inconsciente tocados por cada um dos principais contos de fadas : Os tres porquinhos, a gata borralheira, capuchinho vermelho, os contos das 1001 noites, Hansel e Grettel, Rapunzel, Os tres irmãos, o gato das botas e muitos outros são aqui analisados em detalhe.

C. S. Lewis e Chesterton consideravam que os contos de fadas orientam a criança a descobrir a sua identidade e sugerem-lhe experiencias adequadas a desenvolver o seu carácter, pois revelam a vida humana tal como ela é sentida ..por dentro.

Ao contemplar a historia, contada com empatia por alguém que ama a criança, esta mergulha a criar a sua própria solução para as angustias que não compreende ainda e portanto o conto é terapeutico.

A riqueza de informação e a surpresa de descobrir qual o misterio que de facto cada um destes contos nos ensina torna este livro irresistível.

Journal Entry 2 by joaquimponte at Lisboa - City, Lisboa (cidade) Portugal on Friday, June 05, 2015

Released 4 yrs ago (6/5/2015 UTC) at Lisboa - City, Lisboa (cidade) Portugal

CONTROLLED RELEASE NOTES:

Enviado ao jota-P por saber como gosta de contos de fadas. Creio que vais gostar desta leitura.

Journal Entry 3 by Jota-P at Sacavém, Lisboa (distrito) Portugal on Thursday, June 11, 2015
Já o tenho comigo. Gosto muito de contos tradicionais e dos subsequentes contos de fadas infantis que dali brotaram e por isso vai ser muito interessante ler este livro.

Muito obrigado por este empréstimo. Espero que não haja muita urgência na devolução, isto porque me parece que este livro terá de ser lido com calma. No entanto, estou entusiasmado por lê-lo, portanto espero não demorar demasiado tempo.

Journal Entry 4 by Jota-P at Sacavém, Lisboa (distrito) Portugal on Tuesday, August 11, 2015
Apesar de já ter terminado de ler este livro há bastante tempo, só hoje consegui vir aqui escrever a minha opinião sobre ele. É que, como gostei tanto do livro em si, queria escrever um comentário o mais completo possível e que me sirva de referência para "memória futura" da genialidade que é esta obra.

Bruno Bettelheim pretende defender com este livro a ideia de que os contos de fadas ajudam as crianças e os adolescentes a lidar com os problemas psicológicos do crescimento e do desenvolvimento das suas personalidades.

«Os contos de fadas insinuam que uma vida boa, compensadora, está ao alcance de todos, apesar da adversidade, desde que não nos subtraiamos a enfrentar lutas árduas, sem as quais ninguém pode conseguir verdadeira identidade.»

Para Bruno Bettelheim, o conto de fadas exprime, sob forma simbólica, as angústias e dilemas existenciais de cada um de nós enquanto seres individuais, nomeadamente no que respeita à necessidade de cada um se sentir amado e no que respeita ao medo de que os outros pensem que não prestamos para nada.
O autor considera que os contos de advertência (como por exemplo, as fábulas), ou os contos cujo objectivo seja denunciar um princípio moral ou ainda os contos que possam ser cativos de uma interpretação racionalista não são aqueles que ajudam a criança a elaborar em fantasia as pressões do seu inconsciente, mas antes, e apenas, os contos que foram sendo transmitidos oralmente ao longo dos tempos. Neste sentido, os contos de tradição oral, ao exprimirem, de forma indirecta mas imaginativa, os problemas essenciais da vida humana (especialmente os que são inerentes à luta pela maturidade e à conquista de uma consciencialização que ponha ordem nas pressões caóticas do inconsciente) ajudam o ser humano a ultrapassar as dificuldades inerentes ao crescimento e assim, alcançar a vida boa.

«(...) os contos de fadas descrevem de forma imaginária e simbólica os passos essenciais do crescimento e da obtenção de uma existência independente.»

O único erro que podemos eventualmente apontar a Bruno Bettelheim é o facto de desvalorizar os contos de outros autores (especialmente as versões de Perrault, por elas conterem uma conclusão moral), privilegiando as versões dos contos dos irmãos Grimm como os mais "correctos", sendo que isso só acontece porque são essas versões que lhe dão mais jeito na explicação das suas teses. Bruno Bettelheim não informa que Contos da Infância e do Lar dos irmãos Grimm são uma mescla de contos de diversas fontes e resultado de uma recolha etnográfica que, inicialmente, era dirigida a um público adulto.
Segundo Teresa Aica Bairos (responsável pela tradução e edição completa mais recente destes contos em Portugal), os Grimm não ficaram indiferentes às críticas que outros coleccionadores de contos apontaram às primeiras edições da sua obra, o que fez com que sobretudo Wilhelm Grimm introduzisse sucessivas alterações aos textos com o propósito de os adequar aos preceitos morais do público burguês e atenuando certas passagens de forma a torná-las mais politicamente correctas (como por exemplo, a história de Rapunzel, da qual se eliminaram referências à gravidez pré-nupcial da heroína nas edições posteriores da obra).

Ou seja, os contos dos irmãos Grimm são aqueles que mais facilmente ajudam Bruno Bettelheim a provar ou explicar as suas teses psicanalíticas de que cada ser humano deve libertar-se dos apegos edipianos (que surgem no final da primeira infância) e estabelecer uma existência independente fora da casa paterna (já durante a adolescência). E, assim sendo, este psicanalista acaba por desvalorizar os contos e os contributos de outros autores.

Em todo o caso, Bruno Bettelheim acaba por ser genial nas suas interpretações de contos infantis a que todos estamos habituados, sem que nos tenha passado pela cabeça (pelo menos conscientemente, segundo o argumento do autor), e apenas para dar um exemplo entre muitos outros que surgem ao longo da leitura deste livro, de que o baile a que a Gata Borralheira comparece simboliza o ardil a que um homem se presta para tirar a virgindade a uma donzela.

Resumindo, este é um livro fantástico que eu gostei mesmo muito de ler e de que recordarei que «(...) a mensagem que os contos de fadas trazem à criança [é a de que] a luta contra graves dificuldades na vida é inevitável, faz parte intrínseca da existência humana - mas que se o homem se não furtar a ela, e com coragem e determinação enfrentar dificuldades, muitas vezes inesperadas e injustas, acabará por dominar todos os obstáculos e sair vitorioso.»

Este livro foi, entretanto, e com autorização do joaquimponte, emprestado à Armanda, uma amiga minha que demonstrou grande interesse em lê-lo. Mais uma vez, muito obrigado joaquimponte. Darei notícias em breve sobre o paradeiro do livro e o que a sua actual leitora achou dele!

Journal Entry 5 by joaquimponte at Lisboa - Lumiar , Lisboa (cidade) Portugal on Friday, September 11, 2015
Gostei muito que te tenhas lembrado deste livro, que faz uma abordagem original aos contos de fadas. Confesso que o usei na pratica em relação a meu filho. Teu comentario mostra algumas facetas em que nao tinha pensado. Obrigado Jota-P.

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