Dentro do segredo

by José Luís Peixoto | Travel |
ISBN: 9789897220609 Global Overview for this book
Registered by ichigochi of Vila Nova de Gaia, Porto Portugal on 5/27/2014
Buy from one of these Booksellers:
Amazon.com | Amazon UK | Amazon CA | Amazon DE | Amazon FR | Amazon IT | Bol.com
2 journalers for this copy...
Journal Entry 1 by ichigochi from Vila Nova de Gaia, Porto Portugal on Tuesday, May 27, 2014
Dentro do segredo - uma viagem na Coreia do Norte é a surpreendente estreia de José Luís Peixoto na literatura de viagens, e um olhar inédito e fascinante que nos leva ao quotidiano da sociedade mais fechada do mundo.
Em Abril de 2012, José Luís Peixoto teve a oportunidade de assistir às exuberantes comemorações do centenário do nascimento de Kim II-sung, em Pyongyang. Nessa ocasião, participou na viagem mais extensa e longa que o governo norte-coreano autorizou nos últimos anos, tendo passado por todos os pontos simbólicos do país e do regime, mas também por algumas cidades e lugares que não recebiam visitantes estrangeiros há mais de seis décadas.
Repleto de episódios memoráveis, num tom pessoal que chega a transcender o próprio género, Dentro do segredo é um impressionante relato sobre o outro que, ao mesmo tempo, inevitavelmente, revela muito sobre nós próprios.
Dentro da ditadura mais repressiva do mundo, dentro de um país coberto por absoluto isolamento, Dentro do segredo.

Journal Entry 2 by Jota-P at Sacavém, Lisboa (distrito) Portugal on Tuesday, June 03, 2014
Muito obrigado por este simpático empréstimo, ichigochi! Chegou ontem!

As minhas expectativas em relação a este livro são muito baixas. As críticas que li sobre ele não foram nada simpáticas aquando da sua publicação e, na verdade, este tipo de livro nunca me puxou assim muito. Além disso, José Luís Peixoto (que já figurou nas minhas listas de autores preferidos) foi a pouco e pouco tornando-se menos interessante para mim.

No entanto, o facto de ter lido há pouco tempo uma banda desenhada (romance gráfico) do canadiano Guy Delisle (chamada Pyongyang, e que vale muito a pena ler), fez com que me despertasse o interesse sobre o regime que vigora actualmente na Coreia do Norte... E apeteceu-me ler a perspectiva de um português que teve oportunidade de entrar naquele país fechado em si e fechado para o restante mundo.

A ver vamos o que irei descobrir nestas páginas e se, afinal, JLP me conseguirá cativar e surpreender neste estilo que agora tem cultivado em diversas revistas e que a sinopse chama (será que apropriadamente ou não?) literatura de viagens.

Como irei de férias para o estrangeiro no fim desta semana e não irei levar o livro comigo, só o devo começar a ler depois do dia 18... Se houver algum problema com isso, avisa-me ichigochi para que eu to envie de volta. Mais uma vez obrigado!

Journal Entry 3 by Jota-P at Sacavém, Lisboa (distrito) Portugal on Tuesday, July 01, 2014
Li este livro num ápice e até já o terminei há alguns dias, mas não tive oportunidade de vir aqui antes deixar a minha opinião.

Na altura em que o livro foi editado, li um artigo no suplemento Ípsilon do jornal Público que me deixou um pouco de pé atrás. Agora que já li o livro, posso formar uma opinião mais consistente. No geral, este é um livro que se lê bem e rapidamente. E até gostei mais de o ler do que aquilo que estava inicialmente à espera.

É verdade que JLP não nos dá explicações nenhumas e talvez seja isso que o crítico do Ípsilon não gostou. De facto, eu também fiquei com a leve sensação de que este é talvez um livro um pouco superficial. Aflora a superfície da água, mas não mergulha verdadeiramente nas suas profundezas. Caramba, não é todos os dias que se consegue ver em primeira mão um totalitarismo que, de forma surpreendente, vigora há tanto tempo naquela parte do mundo...!

No entanto, e em abono da defesa de JLP, devo dizer que na banda-desenhada de Guy Delisle, publicada há 10 anos atrás (portanto, com vivências descritas anteriores às de JLP), o autor canadiano também não consegue espreitar por detrás do pano que cobre a realidade norte-coreana e que impede a visão global do que é estar ou viver na Coreia do Norte. Ora, isto faz-me concluir que realmente aquela sociedade fecha-se aos outros, assim como também se fecha sobre si própria, impedindo que quem quer que tente não consiga fazer um retrato cabal do que realmente se passa por detrás do pano. E todas as tentativas de perceber o que lá se esconde por parte de um leigo serão infrutíferas, pelo menos por enquanto.

Será culpa de JLP não conseguir transmitir a horripilante realidade da Coreia do Norte e as atrocidades cometidas ao seu povo? Não creio... Principalmente porque o objectivo do livro que ele se propôs escrever foi o de relatar o que lhe foi permitido ver. Parece-me até que ele consegue fazer passar com competência a ideia de que o ar naquele sítio é irrespirável, e estando lá, sente-se sempre um certo desconforto por via da repressão que, se calhar não se vê claramente, mas sempre presente para onde quer que se vá.

Por um lado, acho que o crítico do Ípsilon tem razão: por que razão haveremos nós de dar atenção a um livro que não põe o dedo na ferida em relação a uma sociedade retrógrada e que mantém sob vigilância toda uma população que não sabe (?), por via da propaganda do sistema, que de facto vive em condições miseráveis? Por outro lado, creio que JLP acaba por dar uma visão de leigo (que é o que, no fundo, é a maior parte dos que leram e lerão este livro) sobre aquela sociedade, transmitindo aos leitores a ideia de que aquilo que vê é tudo artificial (em pequenos pormenores como o sejam o facto de só se poder fazer pagamentos em Euros ou Yuans e não na moeda norte-coreana) e não desprovido de violência (a parada militar a que ele assiste no fim do livro não deixa de ser ilustrativo disso mesmo).

Enfim, para uns, o que aqui vem descrito poderá ser as descrições inconsequentes e desinteressantes de um turista português - que por acaso é um escritor que goza de alguma fama no seu país natal - que nada acrescenta à árdua tarefa de perceber a realidade da Coreia do Norte. Para outros poderá ser encarado como a abordagem de um escritor que teve a oportunidade de entrar naquele país e que quis partilhar as suas vivências, sejam elas profundas ou não, com os leitores que já lhe vão sendo fiéis. Assim sendo, quem ler o livro deve saber ao que vai: não esteja à espera de grandes revelações que expliquem a Coreia do Norte. Mas ainda assim, poderá sentir um pouco do que é visitar a Coreia do Norte.

Para mim, ficou ainda por responder uma pergunta: como conseguiu JLP editar este livro uma vez que, antes da viagem, foi obrigado a assinar um acordo que o proibia de escrever fosse o que fosse sobre aquilo que viu?

Mais uma vez, muito obrigado ichigochi por este amável empréstimo. Seguirá de volta para ti assim que possível!

Journal Entry 4 by ichigochi at Vila Nova de Gaia, Porto Portugal on Tuesday, July 22, 2014
Está de volta a casa para ser lido num futuro próximo, espero... :)

Journal Entry 5 by ichigochi at Vila Nova de Gaia, Porto Portugal on Friday, August 08, 2014
Já li o livro. Lê-se mesmo muito mais rápido do que tinha imaginado. Porque a escrita do autor é muito fluída, sem dúvida, mas também porque o papel é grosso e a espessura do livro engana em relação ao número de páginas, e porque cada página tem margens muito grandes e um espaço relativamente pequeno dedicado ao texto - não sei porque é que a editora escolheu fazer um livro assim, espesso e grande, quando podia ter produzido um livro muito mais pequeno... Queria iludir os leitores de que se tratava de um romance maior?

Também li aquela crítica do Ípsilon que colocaste na JE, Jota-P, e achei-a um bocado exagerada. Eu fiquei com a ideia de que o JLP esteve sempre consciente de que era tudo simulação e fogo de vista, que ele e os companheiros de viagem não viam nada que não se pretendesse que vissem...
Acho que o problema fundamental de quem não gosta do livro é esperar que seja um livro sobre a Coreia do Norte. Não é nem pretende ser: o JLP disse sempre que este era um livro sobre a experiência dele ao viajar na Coreia do Norte.
Ainda assim, e já não esperando mais do que isso, ao ler o livro senti a falta de um olhar de jornalista em vez de romancista. Em vez dos comentários algo jocosos sobre o que a menina Kim ia dizendo e em vez das divagações sobre como estava longe de tudo o que lhe era familiar e de todos os que lhe diziam algo, gostava de ter lido mais relatos "imparciais" do que ia acontecendo e mais descrições daquilo que ia vendo... Mesmo sabendo que é um livro sobre a viagem do autor àquele país, gostava de ter sentido o relato mais focado na viagem e menos centrado no próprio autor, se é que me faço entender... :)

Gostava, por exemplo, que o livro incluísse algumas das fotografias que JLP tirou (sei que é suposto ele não ter tirado nenhuma, mas também era suposto não escrever nada e no entanto aí está o livro...) ou pelo menos um mapa da Coreia do Norte com a indicação dos locais visitados, para irmos acompanhando JLP no terreno. A opção de não incluir nada disto terá a intenção de não dar a entender de forma muito óbvia que se trata de um livro que não deveria ter sido escrito?

ETA: Estive à procura das fotos na net e consegui encontrar algumas. Encontrei também este pequeno vídeo no Público.

Are you sure you want to delete this item? It cannot be undone.