Sombras... nada mais

by João Sena | Literature & Fiction |
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Registered by GenaPonte of Alenquer, Lisboa (distrito) Portugal on 8/6/2011
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Journal Entry 1 by GenaPonte from Alenquer, Lisboa (distrito) Portugal on Saturday, August 06, 2011

Era o paraíso!
Visto do lado do mar o panorama é maravilhoso: os rochedos em cutelo, fragas vivas, em alcantilados, cortados a pique, até às minúsculas praias, rendilhadas de enseadas. Intercalam-se e sucedem-se, na harmonia de luz e sombra, no claro-escuro, na pausa e no vendaval, do sonho e do efémero, onde as grutas profundas penetram na preamar para esponsais com o oceano.
As encostas, de corcovas bizarras, são verdes de luxuriosa vegetação silvestre.
Por toda a parte arbustos, nascidos no vento, fazem-se árvores, aproveitando o orvalho e a geada que ficou da noite.
Esconderam-se e erraram nas suas sombras, como noutros tempos os ermitãs e pensadores, homens acossados e animais feridos.
Entre as pedras cobertas por musgos e habitando as celas estreitas do Conventinho da Arrábida, santuário alcandorado no meio da encosta virada a sul, entre alcantis e ciprestes, passaram, e também viveram e morreram, sábios e ignorantes, filósofos, santos e pecadores.
Presas e predadores.
Quando o luar banha a baía e o vento de norte não encarpela as águas, a baía é um lago espelhado.
Mas, nas noites de temporal, com o vento inclemente e duro, com a chuva impiedosa a entrar pelas árvores, pelos musgos e encharcando a terra, os medos acoitam-se nas fragas.
São as noites dos lobos, dos carneiros chacinados e dos foragidos.
Em nenhum lugar a noite é mais noite e o negrume mais negro.
Quando a madrugada chega e se não há nevoeiro, o sol rompe as trevas e com os seus raios rasantes vai amolecendo a desgraça. Por fim, o mar fica tranquilo.

Uma leitura fácil e envolvente, um recordar de tempos passados que o autor descreve não como ficção mas como situações vividas e sentimentos sentidos.
Gostei muito.
Mais uma vez, nesta minha procura de novos autores, fiquei agradavelmente surpreendida pela escrita de João Sena.

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