A 25ª Hora
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A 25ª Hora
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Moritz e Traian são duas personalidades romenas completamente díspares de formação e espírito. É através deles que temos visões completamente distintas das atrocidades deste conflito armado que devastou a Europa. Moritz é um agricultor, com uma educação praticamente nula e completamente naive em relação a tudo o que estava a acontecer-lhe, enquanto que Traian Koruga é um escritor conceituado no seu país que acaba por sofrer por causa do seu casamento com uma judia. Este livro tem ainda um aspecto que me parece interessante destacar e que não tenho visto ser realçado em algumas críticas que li sobre ele. Este livro não retrata apenas a desumanidade dos campos de concentração e as arbitrariedades que foram praticadas durante e após a II Guerra Mundial. Este livro é também uma crítica constante ao que Gheorghiu chama de “Sociedade Técnica Ocidental”, uma sociedade que surge com a modernidade da revolução industrial em que cada pessoa deixar de ser vista como um indivíduo para passar a integrar uma máquina social que não vê as pessoas enquanto ser humano mas antes como um parte constituinte da sociedade civilizada: o “Cidadão”. Uma sociedade em que o conceito de individualidade deixa de fazer sentido para ser substituído pelos grupos e pelas suas categorias. A uma dada altura do enredo, Moritz é enviado a trabalhar numa fábrica de botões, sendo colocado junto de uma máquina na qual devia trabalhar com um francês. Todos os dias o francês cumprimentava Moritz com a expressão “Salve, Sclave”. Um dia Moritz respondeu com a mesma expressão: «Joseph gostou que lhe respondessem à sua saudação com esta fórmula. Somos todos escravos – disse Joseph. – E é bom que o lembremos uns aos outros, mil vezes por dia, para não o esquecermos, um instante sequer. Se nos esquecemos, se perdemos de vista que somos escravos, está tudo perdido. A consciência vigia.» Um excelente livro com um final amargo e constrangedor, muito à altura do que aqui é retratado. Um pormenor interessante sobre o livro que me foi dado a ler e que nada tem a ver com a sua história: a idade. É um livro de 1973, pelo que recomendo todo o cuidado para quem o for a ler de seguida, já amarelecido com o tempo e com uma fragrância adocicada devida ao envelhecimento do papel. anamae, muito obrigado pela oportunidade de poder ler este livro. |
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Released 4 yrs ago (1/24/2008 UTC) at WILD RELEASE NOTES:
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