O perfumista
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O perfumista
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Quando na Europa deflagra a Iª Guerra Mundial, o homem integra o Corpo Expedicionário Português que vai combater na Flandres. Algum tempo depois chega a notícia de que morreu na Batalha de La Lys. No entanto, um dia o barco da carreira que sobe o Guadiana traz um homem que diz ser o perfumista. A febre pnemónica tinha feito muitas vítimas: a mulher, os amigos, muitas pessoas da vila haviam morrido. Não fala com ninguém, fecha-se em casa a criar perfumes, cujos aromas enlouquecem as mulheres e os homens, alterando a vida de Almorim. Entre odores de mirra e de jasmim, de açafrão e de rosmaninho, entre profetas e malteses, visionários e contadores de histórias, O perfumista é um romance que nos traz imediatamente à memória os ambientes oníricos e as personagens de assombro que encontramos em escritores como Gabriel Garcia Márquez ou José Luís Peixoto, e que perdurarão, certamente, na memória do leitor. |
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Mas comecemos pelo mais evidente: ao contrário do que se possa entender pela sinopse na aba do livro, este está longe de ser um romance histórico. A Primeira Guerra Mundial e o facto da acção se situar nas duas primeiras décadas do século XX servem apenas como pretexto para criar um ambiente particular que o autor pretendeu explorar, num mundo sem "modernices", apenas a singeleza e a pureza dos habitantes do Alentejo no início do século. A história? Não gostei. Nada tem a ver com o rumo que tomou e com o seu final. A história principal, se é que se pode chamar de tal, está entretecida com várias outras histórias, numa miríade de personagens, cada uma muito particular, que no conjunto definem o microcosmos do perfumista Manuel Gasparim. Histórias que se encontram e se desencontram, que correm ao sabor da vida debaixo do sol inclemente alentejano, e que acabam por criar um corpo narrativo que, no final, acabou por não me agradar completamente. No entanto, Joaquim Mestre consegue uma coisa que me prendeu a esta obra: demonstrou uma capacidade muito interessante na adjectivação e descrição de lugares, ambientes e, muito especialmente, sentimentos. Foi isto que me prendeu ao livro e que me levou até o fim do texto, caso contrário muito provavelmente este livro teria ficado a meio. Muito aquém de se tratar de um romance histórico, trata-se de uma história de amor, não confundir com romance lamecha, que impressiona pela sua dimensão. Apesar de o livro no seu todo não me ter agradado completamente, houve histórias e personagens que surpreenderam e por vezes me fizeram recordar os Cem Anos de Solidão de Garcia Maquez. Voltando ao início: Gostei do livro? Não sei. Mas houve momentos que me agradaram muito. Entretanto Tulipa-Negra já me informou que vai passar a sua vez neste bookring. O livro segue nos próximos dias para o vibarao. fbeatriz, mais uma vez obrigado pela partilha. |
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