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Journal Entry 5 by Arvores from Viana do Castelo, Viana do Castelo Portugal on Wednesday, August 22, 2007
Gostei muito deste livro, como tenho gostado de todos os livros de Maalouf. Mas este é diferente; é uma reconstrução dos caminhos percorridos pelos antepassados do autor, caminhos que ele descobre com ternura e que, por vezes, preenche com resignação. Não querendo ser abusivo, permito-me transcrever uma (enorme) passagem de uma percepção que me tocou especialmente: (…) “ A presença das pessoas velhas é um tesouro que desperdiçamos com mimos, bajulações e conversa fiada, e acabamos depois por ficar para sempre com a sensação de nunca termos satisfeito a nossa fome; atrás de nós, caminhos imprecisos, que se delineiam por um breve momento, mas depois se perdem na poeira. Alguns pensarão: e daí? Que necessidade temos nós de conhecer os nossos avós e bisavós? Deixemos os mortos enterrar os mortos, segundo a fórmula já gasta, e tratemos da nossa própria vida! Não temos qualquer necessidade, é verdade, de conhecer as nossas origens. Nem os nossos netos têm a necessidade de saber o que foi a nossa vida. Cada um atravessa os anos que lhe foram concedidos, e depois adormece no seu túmulo. Que vantagem há em pensar naqueles que vieram atrás de nós, já que para nós eles não são ninguém? E de que serve pensar nos que virão a seguir, já que para eles nós não seremos ninguém? Mas então, se tudo está votado ao esquecimento, por que é que fazemos coisas e por que fizeram coisas os nossos antepassados? Por que é que nós escrevemos e por que é que eles escreveram? Sim, nesse caso, para quê plantar árvores e para quê ter filhos? De que serve lutar por uma causa, de que serve falar de progresso, de evolução, de humanidade, de futuro? De tanto privilegiar o momento vivido, deixamo-nos cercar por um oceano de morte. Pelo contrário, ao reanimar o tempo passado, alargamos o espaço de vida” (…) Peço muita desculpa. Sei que não é suposto pormo-nos pr’aqui a transcrever livros, mas não resisti. É uma delícia. É bom que nos ponhamos a pensar. É também uma delícia a passagem do autor por Cuba, as descrições dos dias lá passados e a sensibilidade daquele povo, as paisagens, as sensações, dão-nos vontade de apanhar o primeiro avião e nunca mais voltar. Nem tudo são rosas, eu sei, mas sou um sonhador, o que se há-de fazer? Amin Maalouf frui essencialmente o percurso do avô paterno e de uma preciosidade, a correspondência deste, para retratar de forma tão fiel quanto possível, alguns dos episódios das suas origens. Mais uma vez, obrigado Sr. Maalouf. E obrigado, também, anamae, por mais um excelente livro. Acho curioso o facto de ter terminado de o ler hoje, dia do 71º aniversário do meu pai. Abraços.
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