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Dois textos muito interessantes sobre livros e leitura

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foi uma dor de alma o desaparecimento da "Pó dos livros"... embora não conhecesse fisicamente seguia o blogue com muito interesse...
e dou por mim a pensar que também tenho culpa nisto... não me lembro a última vez que tenha comprado um livro sem ser nas fnacs desta vida...
jurei hoje mesmo que não o volto a fazer, pelo menos se tiver alternativa...e por aqui ainda as há. A livraria Branco e a Traga Mundos são sobreviventes, em Vila Real! e com muito mérito!


quanto ao Al Farabi foi um deslumbramento! gostei mesmo da crónica do Rui....
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Gostei mesmo do Al-Farrabi .
Curioso que a RTP publica online artigos interessantes sobre livros e escritores portugueses. Gostei de ler alguns destes artigos.

http://ensina.rtp.pt/---/autores/
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https://www.publico.pt/---/o-combate-civilizacional-pelos-livros-e-pela-leitura-1805167

(tão na mouche)


Compreendo perfeitamente o Pacheco Pereira, a sua indignação, revolta e, talvez desespero, como o capitão que vê o navio a afundar-se e já não consegue fazer nada. Haveria tanta coisa para dizer sobre isto, sobre a forma como todos deixamos acontecer, muitas vezes sem reagir, sem intervir. Tudo começa pelo exemplo que vamos dando às gerações seguintes, creio. E, por outro lado, a mudança é inevitável. Eu gostava era que fosse para melhor. Mas quem sou eu para dizer o que é melhor? :-)
De qualquer forma, a passividade deu origem a muitas coisas nefastas, não só para o planeta como para as relações humanas. Cá por mim, nunca gostei de ser cordeiro. Mas, como sempre, já estou a extrapolar.

Quanto ao Al Farabi, é uma pesquisa deliciosa mas, mais uma vez, deixa-me um sabor amargo por me lembrar de como deixamos civilizações milenares desabarem como se tudo o que estamos a ver fosse apenas um jogo de PlayStation. Primeiro (?) o Iraque e agora a Síria. E ficamos com medo da diferença, mais uma vez deixando-nos contaminar pelas febres dos Media e pela sua insensibilidade. Talvez o verdadeiro serviço público fosse apresentar documentários que fizessem lembrar às pessoas quem realmente somos, apenas uma espécie, com um legado ancestral a preservar, olhando mais para esse legado do que para as pretensas diferenças. E serviço público seria também fazer programas sobre literatura, pequenos debates sem as tais infiltrações de que falava Pacheco Pereira, tal como se fazem por essa Europa fora: Espanha, França, países nórdicos e Europa de Leste. Temos uma herança cultural tão rica! Hoje, sobre literatura, só conheço o "Literatura aqui", do qual até nem gosto muito, mas vou vendo. E passa na RTP2, escondido das novelas para onde só são contratados os actores e actrizes que têm mais seguidores no Instagram (desculpem, fiquei com esta atravessada), e dos concursos de uma hipotética cultura geral, que até fazem doer a alma.

Mas, mais uma vez, isto sou só eu a pensar alto. E peço desculpa se esses pensamentos ofendem alguém. Afinal, eu não sou nem o Pacheco Pereira nem o Rui Tavares.

Obrigado, irus maria. Acho que hoje acordei pessimista. Desculpa qualquer coisinha. Fica o texto do Joel Neto para me apaziguar :-)
Beijos
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Deslumbrei-me e entristeci-me, assim, à vez.
Outro sinal dos tempos, acho, é que cada vez mais é nestas crónicas que se encontra o melhor jornalismo de hoje em dia. O que é muito, demasiado triste, também. Mas valham-nos as crónicas!
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... e como otimista que sou (...) não me parece que as coisas estejam assim tão más. O que me parece é que "antigamente" as pessoas que tinham acesso à educação eram menos, havia menos sítios onde se podia ter acesso a livros, publicava-se muito menos, e havia menos pessoas a ler, embora muitas delas fossem pessoas que liam muito.

Agora toda a gente tem acesso à educação, quase toda a gente sabe ler, publica-se muito mais e há livros à venda em livrarias, supermercados, estações de serviço, online, e há uma excelente rede de bibliotecas públicas. Também há quem argumente que agora se publica muito, mas a maior parte é porcaria. Enfim, o conceito de porcaria é subjectivo - embora em alguns casos não deixe dúvidas :D - e se é verdade que é irritante entrar numa livraria e ver todos os livros da moda nos escaparates e quando se pergunta por um clássico qualquer, não haver, ou não saberem do que se trata, também é verdade que quase sempre é possível mandar vir, ou encontrar online, ou na biblioteca. Ou seja, as publicações de qualidade (seja isso o que for) continuam a fazer-se e a existir, estão é mais diluídas no meio de um mar tão grande de outros livros.

As pessoas leem menos? Não sei, nem sei se alguém já fez essa análise. Mas se calhar, o que há, é uma proporção menor de pessoas que leem livros, relativamente ao total que o pode fazer, porque agora, aquelas que sabem ler e podem ter acesso fácil aos livros, são quase todas, mas isso é normal. Se calhar, em valor absoluto, até há mais pessoas a ler, quem sabe.

Por outro lado, quando olho para os miúdos, se é verdade que passam muito tempo nos telemóveis, também vejo um número grande que lê bastante. No meu caso, são só 50% (a mais nova gosta muito de ler, a mais velha não), mas olhando para os miúdos da primária, e até aos 13-14 anos, parece-me que até leem bastante, e livros mais complexos do que os que eu lia quando tinha a idade deles. A partir dos 14-15, como é natural, valores mais altos se levantam (...), mas acredito que passada essa fase, quem adquiriu hábitos de leitura lá atrás, há-de regressar a eles, mais cedo ou mais tarde.

Bom, e se não convenci ninguém, não faz mal, agora vou mesmo parar por aqui, não sei o que me deu para me pôr a escrever tanto num domingo de manhã, acho que foi mesmo porque vi o Arvores ali tão desanimado!
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Gostei de ler esta tua reflexão. Tem fundamento. La no "meu " jardim é isso que vejo. Em geral as pessoas leem pouco mas a verdade e que existe uma enorme apetência por algo bom, por um bom livro. Mesmo jovens que nunca leem e passam o tempo na net, nao recusam um livro cujo tema lhes diga algo sobre a sua vida e os seus problemas. Basta que sintam esse chamado e aceitam. Tens toda a razão, que o homem continua o mesmo apesar das tecnologias.
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Bom, e se não convenci ninguém, não faz mal, agora vou mesmo parar por aqui, não sei o que me deu para me pôr a escrever tanto num domingo de manhã, acho que foi mesmo porque vi o Arvores ali tão desanimado!


Eu bem disse que não ando muito optimista, mas a verdade é que a realidade aqui pela ilha é outra. E a escola não ajuda nada. Ainda na semana passada me passou uma coisinha má pelas ventas, por causa da professora de Português da minha filhota mais nova. Felizmente tem pais leitores, senão a miúda ficaria desencorajada (e ela sempre foi uma boa leitora - ao contrário da mais velha, acrescente-se).
Mas prefiro o teu optimismo ao meu desânimo :-)
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RE: MEC

Que delícia :)

(e agora já não me vou sentir tão culpada quando levar uma eternidade a alinhavar umas linhas. Se até o MEC demora 3 horas a escrever uma crónica tão simples...)
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RE: MEC

:-)

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