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já está tudo a dormir ??

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Nem por isso...

Há muito que não venho ao forum... mas hoje resolvi espreitar...
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Nao

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bzz

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A ver o correio e o fórum que não tenho tipo oportunidade de sentar-me frente ao PC.

Boa Páscoa a todos!
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Já se anda a tornar (mau) hábito ficar doente quando tenho alguns dias de descanso :(
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Não durmo. Não posso dormir em meio a tantos
pensamentos. Fora deste quarto branco, a noite se
desprende dos grilhões escuros de silêncio.
Longe bem longe escuto um cachorro, o apito de um
navio. Não durmo. Abro a janela para o mar. As ondas
se sucedem. Todos dormem, menos eu. Dentro do meu
quarto branco, dentro, sempre dentro.E não durmo tendo
tantos pensamentos.

Bruno Ribeiro
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E estou acordado :O
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, mas continua tudo a dormir.
basta olhar para o estado da Nação :D
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... Continuo insone, revolvendo na cabeça os problemas da humanidade.


Murilo Mendes – MISCELÂNEA EM PROSA E VERSO /CONVERSA PORTÁTIL
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Tua mulher não dorme mais, passa a noite acordada.
Tem noite que dá uma, tem noite que dá duas,
Tem noite que dá três, horas da madrugada.

Sua doença, ninguém vai descobrir
Enquanto não dá uma, não consegue dormir
Esta semana, sabes o que ela fez?
Deitou-se depois das duas,
Só dormiu quando deu três.

Quim Barreiros "insónia"
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Bocage : Invocação à Noite

Ó deusa, que proteges dos amantes
O destro furto, o crime deleitoso,
Abafa com teu manto pavoroso
Os importantes astros vigilantes:

Quero adoçar meus lábios anelantes
No seio de Ritália melindroso;
Estorva que os maus olhos do invejoso
Turbem d'amor os sôfregos instantes:

Tétis formosa, tal encanto inspire
Ao namorado Sol teu níveo rosto,
Que nunca de teus braços se retire!

Tarda ao menos o carro à Noite oposto,
Até que eu desfaleça, até que expire
Nas ternas ânsias, no inefável gosto
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Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando
O antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?
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São 03:00

e não durmo. Quem consegue dormir com o coração partido?
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São 18:51

a esta hora é normal estar acordado :D
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" Boémio, tu ficas na rua, em noites de lua,
Insone a cantar
Na ilusão dos beijos viciosos
E dos carinhos pecaminosos,
Boémio, tu vives sonhando, com a felicidade,
Mas não és feliz
Vives boémio sorrindo e cantando
Mas o teu sofrer, o teu riso não diz."

"Boémio" Orlando Silva
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Á beira-rio ... Mondego, claro! ;-)
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São 03:15

Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.

Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Álvaro de Campos, in "Poemas"
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Não durmo há 29 horas :) ou :(( ?
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"Fico acordado noites inteiras
Namorando as estrelas e brindando à Lua
E quando elas perecem com a luz da manhã
Também eu sucumbo e me escondo no limbo..."
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"Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir! "

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"Diáfanas as camisas de noite abandonadas
na alvorada que furtivamente progride.
E diáfano também, infelizmente, o farrapo de sono
que estremece com a brisa dos espíritos,
mas em semi-sonhos, que se transmutam e se enrolam
que ora relembro, ora esqueço.
A minha alma nesta hora, puxou a tua
um pouco mais para perto de mim..."

Dante Rosseti - Insomnia
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Essa mulher, a doce melancolia
dos seus ombros, canta.
O rumor
da sua voz entra-me pelo sono,
é muito antigo.
Traz o cheiro acidulado
da minha infância chapinhada ao sol.
O corpo leve quase de vidro.

Eugénio de Andrade
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grilo

sabes... de vez em quando faz bem descansar
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"...Por isso sê para mim materna, ó noite tranqüila...
Tu, que tiras o mundo ao mundo, tu que és a paz,
Tu que não existes, que és só a ausência da luz,
Tu que não és uma coisa, rim lugar, uma essência, uma vida,
Penélope da teia, amanhã desfeita, da tua escuridão,
Circe irreal dos febris, dos angustiados sem causa,
Vem para mim, ó noite, estende para mim as mãos,
E sê frescor e alívio, o noite, sobre a minha fronte...
'Tu, cuja vinda é tão suave que parece um afastamento,
Cujo fluxo e refluxo de treva, quando a lua bafeja,
Tem ondas de carinho morto, frio de mares de sonho,
Brisas de paisagens supostas para a nossa angústia excessiva...
Tu, palidamente, tu, flébil, tu, liquidamente,
Aroma de morte entre flores, hálito de febre sobre margens,
Tu, rainha, tu, castelã, tu, dona pálida, vem..."
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Ainda não. Estou a ver a chuva cair no rio enquanto me vou deliciando com 25 Anos de Chivas e com o fantasma do Chet ressoando um "Almost blue" que quase me assenta como uma luva...
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Ainda não. Estou a ver o esgoto cair no mar enquanto me vou deliciando com 25 dias de bagaço e com o fantasma do Dino Meira ressoando um "Homem Vestido de Branco " que quase me assenta como o colete de forças que trago vestido...
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O Grilo

Numa noite clara,
de Lua redonda
como um queijo branco
no prato do céu,
do meio do mato
uma voz ouvi,
que falava sempre:
CRI... CRI... CRI...

Vestido de noite,
perdido no escuro,
parado num canto
que não descobri,
seu corpo comprido,
de inseto elegante,
confesso nãi vi...
Só ouvi seu canto
na perdida sombra:
CRI... CRI... CRI...

Estava sozinho,
sem algum amigo
com quem conversasse;
então decidi:
"Com o grilo alegre
vou travar conversa".
- Ei, grilo, não temas,
que eu não sou de briga!
Creste no que eu disse?
... e o grilo, do escuro,
respondeu na hora,
como se endendesse:
CRI... CRI... CRI...

Fiquei muito alegre,
ele me entendia
e me respondia
com satisfação...
Pus-me a contar fatos
que o deixaram quieto,
prestando atenção:
"Uma vez, amigo,
veio ao mundo um homem
muito meigo e puro
perdoando a todos,
libertando escravos,
saciando pobres
e curando enfermos;
homem tão bondoso
como igual não vi..."
- Creste no que eu disse?
...Respondeu-me o grilo,
como se entendesse:
CRI... CRI... CRI...

"...Pois o tal profeta
(Ele era profeta),
como fosse humano,
dedicado e amigo,
recebeu dos homens
o pior castigo
que já conheci:
numa cruz pesada
foi crucificado,
suas mãos sangraram,
rasgadas, feridas,
sua fronte clara
foi lavada em sangue,
padeceu torturas
como nunca vi..."
- Creste no que eu disse?
...Respondeu-me o grilo,
como se entendesse:
CRI... CRI... CRI...

"...Mas, um dia, um belo
dia de domingo,
Esse homem puro,
que nenhum pecado
no mundo provou,
rompeu as cadeias
da morte gelada,
e ressuscitou...
Seu corpo, na pedra
do escuro sepulcro,
ninguém mais achou...
o nome bendito
do Ser soberano
da glória e da luz
soa como um hino,
às vezes humano,
às vezes divino,
o nome é ... JESUS...

Esse doce amigo
que sofreu assim
padeceu castigo
e morte por mim.
Para ser sincero,
devo confessar:
Ele foi ferido
para me salvar..."

- Bem, já se faz tarde,
vou dormir, amigo,
boa-noite, Grilo...
Mas, ó companheiro,
tu creste de fato
no que eu disse aqui?

... Respondeu-me o grilo,
como se entendesse:
CRI, CRI, CRI, CRI, CRI!!!
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cri cri

:)
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O grilo

O grilo não tinha irmãos e, todas as noites, dormia sozinho no quarto que era só dele. Às vezes, ele sentia-se tão só que não conseguia dormir.

Uma noite, decidiu ir procurar a companhia de um bom amigo para dormir. Visitou todos os que ele conhecia: o esquilo, o rato, o porco-espinho, o urso e a coruja, e sempre foi muito bem recebido mas... cada um tinha um costume e o grilo não conseguia dormir. Onde acabou ele a noite?
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... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se. Morrer..., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando alfim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis morosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem
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"Os Grilos São Astros"

Chico Buarque

No rumo de uma estrela
Vou pelo mato afora
Na boca da noite
Na beira do mato
Os grilos são astros

Dou boa noite às dormideiras
Cuido para não tocá-las
Tomo rumo indefinido
Vou ao encontro das fadas
No canto do galo eu danço
Pia inhambu, eu calo
Na boca da noite
Na beira do mato
Os grilos são astros

Toco a rosa na roseira
Me cuido com os espinhos
E das folhas da palmeira
Esteira de amor eu faço
Na boca da noite
Na beira do mato
Os grilos são astros

Dou boa noite à lua cheia
Me cuido nos caminhos
Quando passo em águas turvas
Vagalumes me guiam
No canto do galo eu danço
Pia inhambu, eu calo
Na boca da noite
Na beira do mato
Os grilos são astros
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Era uma vez uma menina que prendeu um grilo numa gaiola, só para o ouvir cantar.
Mas, privado de liberdade, longe do seu jardim e dos amigos com quem participava nos Concertos de Verão, o insecto sente-se cada vez mais infeliz...
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A esta hora só se estivesse doente
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À noite estão acordados os mochos...

Pia, pia, pia
O mocho
Que pertencia
a um coxo.

Zangou-se o coxo
Um dia,
E meteu o mocho
Na pia, pia, pia.

Fernando Pessoa
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Lá fora onde árvores são
O que se mexe a parar
Não vejo nada senão,
Depois das árvores, o mar.

É azul intensamente,
Salpicado de luzir,
E tem na onda indolente
Um suspirar de dormir.

Mas nem durmo eu nem o mar,
Ambos nós, no dia brando,
E ele sossega a avançar
E eu não penso e estou pensando.

"Fernandinho dos Mártires" pós amigos
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Cri, cri

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
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Pelos vistos continuam a dormir, o país como está e o pessoal preocupado em apoiar a seleção. A politica do "Panem et Circenses" continua a resultar com a agravante de que nos dias de hoje o pão já nem sequer ser grátis e os "gladiadores" pagos a peso de ouro, serem mantidos por verbas que serviriam melhor à educação ou à saúde. Mas o povo embrutecido, esmagado por burocratas por si ¿ eleitos ? e manipulados pelos media controlados por aqueles, saem à rua de sorriso no rosto "Em vénias malabares à luz do dia
Lambuzam da saliva os maiorais E quando os mais são feitos em fatias Não matam os tiranos pedem mais"
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Pelos vistos continuam a dormir, o país como está e o pessoal preocupado em apoiar a seleção. A politica do "Panem et Circenses" continua a resultar com a agravante de que nos dias de hoje o pão já nem sequer ser grátis e os "gladiadores" pagos a peso de ouro, serem mantidos por verbas que serviriam melhor à educação ou à saúde. Mas o povo embrutecido, esmagado por burocratas por si ¿ eleitos ? e manipulados pelos media controlados por aqueles, saem à rua de sorriso no rosto "Em vénias malabares à luz do dia
Lambuzam da saliva os maiorais E quando os mais são feitos em fatias Não matam os tiranos pedem mais"


Pois é, Grilo. Como a História se repete, com as variações do 'peso' dos gladiadores e coisitas dessas. Desconfio é que 'primeiro como uma tragédia, depois como uma comédia' é uma ideia a rever.
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"A Noite acordou. Ainda com os olhos ensonados, olhou pela janela para ver o tempo que fazia.
As nuvens grossas e cinzentas tapavam o céu, e a Lua, de tanto estar acordada, adormeceu profundamente. (...)
Mas, o que via ela agora? Dois buracos acesos que mais pareciam dois sóis pequeninos.
— Os meus olhos mudaram de sítio? — perguntou a si própria a Noite.(...)
Grande surpresa a sua. Nem os olhos tinham mudado de sítio, nem a traça roera o vestido. Os pontinhos brilhantes eram, nem mais nem menos, os olhos de um menino assustado.(...)
— Ainda estás acordado?
— Tenho medo da noite! — respondeu o menino, assustado e com os olhos cheios de lágrimas brilhantes.
— Medo de mim?! — insistiu a Noite.
— Sim, tenho medo de ti porque és medonha e é na escuridão que nascem os medos, os fantasmas, os papões e todos os bichos ruins. Quando tu vens, os sós ficam mais tristes e o teu silêncio dói muito.(...)
Aquela conversa continuou pela noite fora, o menino adormeceu no silêncio tranquilo da Noite e esta ficou feliz por poder usar o seu vestido negro-carvão sem buraquinhos de luz"
"Quando os olhos da noite mudaram de sítio"
-José Vaz-
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Mário-Henrique Leiria

RIFÃO QUOTIDIANO

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece...

Uns dormem, outros fingem que dormem a ver o que acontece. Entretanto as"velhas" comem tudo...

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" Finalmente chove nos líquens algures e sinto vontade de dormir - já muito de mim adormeceu afirmo-vos, no que de ave de Inverno e buraco de árvore possuo - "

Leonilde Leal
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Hei! Senhor da pandeireta, toque-me uma canção,
Não tenho sono e não há lugar onde eu possa ir.
Hei! Senhor da pandeireta, toque-me uma canção,
Na manhã tranquila, eu o seguirei.

Embora eu saiba que todo império retornou ao pó,
Varrido de minha mão,
Deixando-me cegamente aqui parado, mas ainda não dormindo.
Meu cansaço espanta-me, estou plantado em pé,
Não tenho quem encontrar,
E a velha rua vazia está demasiado morta para sonhar.
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Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem, desdigo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!

E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.

Que farei quando, deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?

Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.

--Medo--
"Reinaldo Ferreira"
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Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa
Substitui o calor.
Para ser feliz tanta coisa é precisa.
Este luzir é melhor.

O que é a vida? O espaço é alguém para mim.
Sonhando sou eu só.
A luzir, em quem não tem fim
E, sem querer, tem dó.

Extensa, leve, inútil passageira,
Ao roçar por mim traz
Uma ilusão de sonho, em cuja esteira
A minha vida jaz.

Barco indelével pelo espaço da alma,
Luz da candeia além
Da eterna ausência da ansiada calma,
Final do inútil bem.

Que se quer, e, se veio, se desconhece
Que, se for, seria
O tédio de o haver... E a chuva cresce
Na noite agora fria


Fernando Pessoa
18-9-1920
in: Poesias Inéditas (1919-1930).
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Eu estou a olhar para a lua...

"Y en las noches que haya luna llena
Será porque el niño esté de buenas
Y si el niño llora
Menguará la luna
Para hacerle una cuna."
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"...Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves."

Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"
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Não

.
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"...Pense bem: eu, que não sei o que é dormir uma noite inteira, dormir muitas, dormir todas e todos os dias e todos os anos, pelos séculos dos séculos! Só esta ideia me faz sorrir. Deve ser tão bom! "
Florbela Espanca
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O INSONE
Meus olhos abertos!
Levai-me até ao mar
a ver se adormeço!

Aqui tão distantes,
não se hão-de fechar
meus olhos abertos.

Chorarão lembranças,
formarão um mar
de pranto e desejo.

Um mar sem consolo,
que me há-de levar
à insónia eterna.

Não imitam os beijos
nem doces cantares
a onda e o vento.

A onda e o vento!
Quero ver o mar,
a ver se adormeço!

Juan Ramón Jiménez
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Eu não consigo dormir hoje à noite
Não importa o quanto eu tente
Por que está frio e escuro
E o vento está forte
E eu não posso apagar a luz
Mãezinha está procurando o bébé
Mas o bébé está tentando ir pra casa
Por que está frio e escuro
E a lua não pode iluminar o caminho
E o paizinho se foi (adeus)

Eu sou apenas um bébé

Tenacious D
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Toda a noite ouvi no tanque
A pouca água a pingar.
Toda a noite ouvi na alma
Que não me podes amar.

Dias são dias, e noites
São noites e não dormi...
Os dias a não te ver
As noites pensando em ti.
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Maria, no regresso a casa
Vi dois elfos a lutar,
Oh Maria, e dois outros a sangrar.

As trevas estão por aí, escondidas,
À espera que eu apague a luz
Para se lançarem sobre mim.

Maria, no regresso a casa
Vi dois olhos a brilhar,
Oh Maria, e dois outros a cegar.

As trevas estão por aí, escondidas,
À espera que eu apague a luz
Para se lançarem sobre mim.

Maria, tenho medo, medo
Do que pode acontecer,
Oh Maria, do que está para ocorrer.

As trevas estão por aí, escondidas,
À espera que eu apague a luz
Para se lançarem sobre mim.
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Nao estraguemos o post de nossa amiga!
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Oh Retrato da Morte, oh Noite Amiga

Oh retrato da morte, oh noite amiga
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha do meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor, que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga:

E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.

Bocage
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quase...o ze pestana está a chegar!!
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"Para muitas pessoas, os filósofos são noctívagos inoportunos que as perturbam durante o sono."
Arthur Schopenhauer
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Não.

Excelente citação.
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Hoje estou a dormir como um bébé ...
Acordo de duas em duas horas a chorar :'(
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Gênesis 31:40

Estava eu assim: De dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o meu sono fugiu dos meus olhos.
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Todas as noites me vens seduzir
Uma Otsuyu ocidental
Mesmo no escuro consigo assistir
À tua aproximação lânguida e sensual

Asas de morcego e olhos angelicais
Corpo sedoso por dois chifres coroado
Gamboas balouçando sensuais
Despertam meu bordão estremunhado

Varonil, mas contudo impotente
Para resistir à tua salacidade
Que me deixa demente

Sugas-me a vida, mas por mais que tente
Já não tenho perspicuidade
De mim próprio estou ausente
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"Não desperto, não consigo
e se é isto o despertar
quem dera uma abraço amigo
e nunca mais acordar"

"Dulce Pontes"
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O vento é um cão sem dono,
que lambe a noite imensa.
A noite não tem sono.
E o homem, entre sonhos, pensa.
.
E o homem sonha, dormindo,
que o vento é um cão sem dono
que uiva a seus pés estendido
para lamber-lhe o sonho
.
E ainda não chegou a hora.
.
A noite não tem sono:
alerta, sentinela!
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Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor

Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer
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Dorme sobre o meu seio,
Sonhando de sonhar...
No teu olhar eu leio
Um lúbrico vagar.
Dorme no sonho de existir
E na ilusão de amar.

Tudo é nada, e tudo
Um sonho finge ser.
O ‘spaço negro é mudo.
Dorme, e, ao adormecer,
Saibas do coração sorrir
Sorrisos de esquecer.
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“Algunos se complacen en decirme:
Estás viejo, te duermes
de pronto, en cualquier parte.
Llevas raras camisas,
cabellos y chaquetas estentóreos.
Pero yo les respondo
como el viejo poeta Anacreonte,
lo hubiera hecho hoy:
Sí, sí,pero mis cientos de viajes por el aire,
mi presencia feliz, tenaz, arrebatada
delante de mi pueblo,
mi voz viva con eco
capaz de alzar el mar a cimas de oleaje,
y las bellas muchachas y los valientes jóvenes
que me bailan en coro
y el siempre sostenido, ciego amor,
más allá de la muerte…”

Rafael Alberti.
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Uau! impressionante poema. Quão bonito
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Os adultos também precisam, as vezes.


"Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme quinda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer"

Zeca Afonso
https://www.youtube.com/watch?...

Editando : Não me lembrei que o poema já tinha sido colocado pelo grilo :) Penso que foi mesmo o Zeca ( saudades ..) que escreveu o poema ? Duas escolhas para o mesmo poema e canção.
É porque é uma beleza...
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Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras.. que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já.
Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas.....

O meu corpo gela à mingua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu rosto
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.


Maria do Rosário Pedreira
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O João dorme... (Ó Maria,
Dize áquella cotovia
Que falle mais devagar:
Não vá o João, acordar...)

O João dorme... Que regalo!
Deixal-o dormir, deixal-o!
Callae-vos, agoas do moinho!
Ó mar! falla mais baixinho...
E tu, Mãe! e tu, Maria!
Pede áquella cotovia
Que falle mais devagar:
Não vá o João, acordar...

Depois, um dia virá
Que (dormindo) passará
Do berço, onde agora dorme,
Para outro, grande, enorme:
E as pombas que eram maiores
Que João... ficarão menores!

Mas para isso, ó Maria!
Dize áquella cotovia
Que falle mais devagar:
Não vá o João, acordar...

E os annos irão passando.

Depois, já velhinho, quando
(Serás velhinha tambem)
Perder a cor que, hoje, tem,
Perder as cores vermelhas
E for cheiinho de engelhas:
Morrerá sem o sentir,

Mas para isso, ó Maria!
Pede áquella cotovia
Que falle mais davagar:

Não vá o João, acordar...

António Nobre , in "Só"
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O sono que desce sobre mim,
O sono mental que desce fisicamente sobre mim,
O sono universal que desce individualmente sobre mim
Esse sono
Parecerá aos outros o sono de dormir

Mas é mais, mais de dentro, mais de cima:
E o sono da soma de todas as desilusões,
É o sono da síntese de todas as desesperanças,
É o sono de haver mundo comigo lá dentro
Sem que eu houvesse contribuído em nada para isso.

O cansaço tem ao menos brandura,
O abatimento tem ao menos sossego,
A rendição é ao menos o fim do esforço,
O fim é ao menos o já não haver que esperar.

Há um som de abrir uma janela,
Viro indiferente a cabeça para a esquerda
Por sobre o ombro que a sente,
Olho pela janela entreaberta:
A rapariga do segundo andar de defronte
Debruça-se com os olhos azuis à procura de alguém.
De quem?,
Pergunta a minha indiferença.
E tudo isso é sono.

Meu Deus, tanto sono! ...

Álvaro de Campos
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Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono - a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas
da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí

nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me

depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem

que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome - porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes.

Maria do Rosário Pedreira, in 'Nenhum Nome Depois'

Não conhecia a autora. Obrigado Joaquimponte!
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Maria do Rosário Pedreira, in 'Nenhum Nome Depois'

Não conhecia a autora. Obrigado Joaquimponte!


Um dia procurava o escritor Juan Rulfo e sua "Obra Reunida" e encontrei ( pela proximidade dos titulos :) uma tal ... " Poesia Reunida" desta escritora. Fiquei surpreendido ... transmite uma emoção forte, um lirismo romantico mas tb sensual e as palvras penetram em sentidos adormecidos , não sei bem dizer.
Mas sinto que tu tb sentiste ..


http://www.wook.pt/---/13998010
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Dorme noite, dorme tranquila
Reconheço o teu corpo, teu segredo.. teu corpo
Dorme dorme tranquila
Encostada ao meu ombro
dorme tranquila
Na curva do teu peito
me deito e esqueço
O teu corpo é a onda espaço azul e fresco
Eu limparei o medo dos teus olhos meiga gravemente com cuidado e ternura
.......

Dorme noite, dorme tranquila
O beijo que dermos ao princípio da noite
nos deponha intactos dentro do sonho iluminado
Nenhum de nós receie o sono
dorme dorme tranquila
As recordações e os muros as palavras e o tempo
afogaram-se noite no mar do silêncio donde vieste
grande desconhecida acariciante
para o meu leito quente

Sangue escaldante e viril
solto me percorre livre
Dorme noite dorme tranquila
Até que o pássaro de oiro pousado na primeira estrela da manhã
nos acorde e devolva ao esplendor da vida
encostada ao meu ombro..
dorme tranquila

Raul de Carvalho em O Museu Imaginário
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(poema encontrado no espólio de Fernando Pessoa)

Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gêmea da minha!
Tua alma, assim como a minha,
Rasgando as nuvens pairava
Por cima dos outros,
À procura de mundos novos,
Mais belos, mais perfeitos, mais felizes.

Criatura estranha, espírito irriquieto,
Cheio de ansiedade,
Assim como eu criavas mundos novos,
Lindos como os teus sonhos,
E vivias neles, vivias sonhando como eu.

Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gêmea da minha!
Já que em vida não tinhas descanso,
....


Fernando Pessoa
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Alma dormida
por José Hierro

Me tendí sobre la hierba entre los troncos
que hoja a hoja desnudaban su belleza.
Dejé el alma que soñase:
volvería a despertar en primavera.

Nuevamente nace el mundo, nuevamente
naces, alma (estabas muerta).
Yo no sé lo que ha pasado en este tiempo:
tú dormías, esperando ser eterna.

Y por mucho que te cante la alta música
de las nubes, y por mucho que te quieran
explicar las criaturas por qué evocan
aquel tiempo negro y frío, aunque pretendas

hacer tuya tanta vida derramada
(era vida, y tú dormías), ya no llegas
a alcanzar la plenitud de su alegría:
tú dormías cuando todo estaba en vela.

Tierra nuestra, vida nuestra, tiempo nuestro...
(Alma mía, ¡quién te dijo que durmieras!)
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Não conhecia este poeta . E não sei se é a musicalidade da lingua espanhola ou então uma certa paixão da alma espanhola, mas a verdade é que é um poema que nos encanta, no sentido magico da palavra.
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Não conhecia este poeta . E não sei se é a musicalidade da lingua espanhola ou então uma certa paixão da alma espanhola, mas a verdade é que é um poema que nos encanta, no sentido magico da palavra.


Concordo completamente
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Insónia

Noite calada, como num lamento,
A voz das coisas ponho-me a escutar,
E ela vai, vai subindo ao Firmamento,
Num murmúrio constante, a soluçar.

Noites de Outono, como chora o vento...
Noites sem brilho, noites sem luar.
Noites de Outono, sois o meu tormento,
Tombam as folhas, ponho-me a cismar.

Noite morta. Lá fora a ventania
Passa rezando estranha litania,
Como sinos dobrando ao entardecer.

Vento que choras, dolorido canto,
Unge meus olhos, deixa-mos em pranto,
Para melhor assim adormecer.
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Nascemos para o sono,

nascemos para o sonho.

Não foi para viver que viemos sobre a terra.

Breve apenas seremos erva que reverdece:

verdes os corações e as pétalas estendidas.

Porque o corpo é uma flor muito fresca e mortal.


Poema mexicano escrito em Nauatle ( lingua pré-colombiana ainda hoje falada em algumas partes do México) mudado para português pelo poeta Herberto Helder e transcrito do livro "O Bebedor Nocturno"

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Acordar

A brisa da madrugada conta-te segredos
Não voltes a dormir
Deves perguntar-lhe o que deveras desejas
Não voltes a dormir
Às vezes regressamos e forçamos a porta
onde os dois mundos se tocam
que a porta é redonda e está aberta
Mas não voltes a dormir

Jalāl ad-Dīn Muhammad Rūmī ( ou apenas Rumi )
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Como a flor que adormece
mas só vejo, no mar
a onda que aparece

que a memoria regressa
ao tempo da partida
não há forma sem culpa
nem palavra sem vida

e a solidão dá força
a tudo o que apetece
sob a noite me escondo
como a dor que adormece

Vasco da Lima Couto ( em "Bom dia meu amor.." )
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Etelvina já sabia que não ia encontrar
Nem um príncipe encantado, nem um lobo do mar
Só alguém com quem pudesse dizer assim:
''O amor já não é cego
Abre os olhinhos à gente
Faz lutar com mais apego
A quem quer vida diferente''

O seu homem encontrou-o à noite
A dormir à beira rio, à noite, à noite
Acocorado com frio à noite, à noite
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E a noite passa lenta e a lua desce, desce,
triste como surgiu nos plainos do infinito;
E encosta a fronte à serra, ao leito de granito...
Virgem que vai dormir e reza a última prece!

Thomaz Ribeiro "A Delfina do mal"
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Era uma noite apressada
depois de um dia tão lento.
Era uma rosa encarnada
aberta nesse momento.
Era uma boca fechada
sob a mordaça de um lenço.
Era afinal quase nada,
e tudo parecia imenso!

Era uma haste inclinada
sob o capricho do vento.
Era a minh'alma, dobrada,
Ó noite, ó noite, ó noite!
Luar e primavera
e os telhados cobrindo
sonhos que a vida gera!

Subo por essas horas
solitária e sincera,
e encontro, exausta e pura,
minha alma que me espera.


Cecília Meireles
In: Poesia Completa
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Este ficou um filho do David Mourão-Ferreira com a Cecília Meireles, mas... o resultado é interessante :)
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"Dia da Criação da Noite por Carlos Nogueira"


Estavam os homens as águas os animais e as terras
cansados de luz e de não haver noite
levantei as mãos
fiz rodar a terra para que se retirasse o sol
enrolei os dedos nas últimas fulgurações
teci com os cintilantes fios
a misteriosa linguagem dos astros

depois
fui pela escura abóbada
estendi a fantástica tapeçaria
para que lá em baixo ninguém perdesse o seu caminho
e nela pudesse adivinhar o doloroso humano destino

a noite ficou assim tão habitada quanto a terra
os homens podem hoje sonhar com aquilo que mal entendem
e quando o medo atribuiu nomes àquele luzeiro
dei por terminada a obra
cortei os fios como se cortasse um pedaço de mim
fui para outro hemisfério adormecer o dia
construir a pirâmide o quadrado o círculo a linha recta
as cores do mundo
e dar vida a outras incandescentes criaturas

In Al Berto, A Secreta Vida das Imagens, Lisboa, Contexto Editora, 1991, p. 45
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Maravilhoso.
Obrigado pela partilha

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